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Vulcões que mudaram a História

[Texto escrito pelo editor Troan Parra, de Guarulhos]

Nós, brasileiros, não temos nenhuma percepção sobre o que é uma erupção vulcânica. Nós, nossos pais e provavelmente nossos avós nunca presenciaram uma. Nem mesmo os primeiros habitantes do Brasil a mais de 13 mil anos presenciaram e bem provável que nem os futuros “últimos”o farão. Isso se deve ao fato mais que conhecido de que não há vulcões ativos no Brasil, e que levaria dezenas se não centenas de milhões de anos para formação de um.

Apenas há alguns “mausoléus de Vulcano/Hefesto“ (deus Greco-romano que era “responsável” pelas erupções). Isso se deve ao fato de não termos praticamente movimentos tectônicos convergentes intensos, fazendo com que nossa estrutura geológica metamórfica (rochas ígneas intrusivas e extrusivas) tenham mais de 100 milhões de anos. Graças a isso, temos um dos maiores “reservatórios” de fósseis do mundo (tão abundante quanto o norte-americano), só que com pouco investimento.

No Brasil,vulcões podem não ter marcado nossa história, mas com certeza ao redor do mundo sim. Erupções culminaram em destruições de cidades, revoluções, fins de impérios e quase nossa extinção. Obviamente a mais famosa de todas é a do Vesúvio em 79 a.C que soterrou as cidades romanas de Pompeia e Herculano perto da atual Nápoles na península Itálica. Sobre as “estátuas vivas” que todos conhecem, acredito que já tenham se perguntado: como uma lava que é praticamente composta por silício e ferro líquidos a mais de 1000 °C não evaporou os corpos? Além de que, não importa o quão líquida é a lava, demoraria horas, teria tempo mais do que suficiente para evacuar a cidade. Como sabemos a partir de estudos geológicos e até às anotações de Pliniano, romano que viveu e descreveu detalhadamente a erupção, classificada por âmbos como “de lava espessa”.

Vesúvio, em sua última erupção, em 1944.

 Então o que ocasionou o soterramento da cidade? Simples, foi algo chamado “Fluxo Piroclástico” que nada mais é do que um tsunami de pó denso, cinzas, gases e rochas advindo das explosões que viajam rente ao chão a uma velocidade superior aos 150km/h! Isso é rápido e frio o suficiente para cobrir sem destruir ou desnaturar os corpos.

Até hoje o Vesúvio é um dos vulcões mais perigosos do mundo, muito pelo fato de ser o vulcão mais “urbanizado” do mundo, já que há cerca de três milhões de habitantes ao redor dele, todos vulneráveis. Além de ter uma frequência altíssima de erupções que variam desde 4 à 9 erupções por século, a primeira datada no tempo histórico é de por volta de 1800 a.C e a última foi em 1944 d.C( péssimo ano para a Itália). Tudo isso culmina o Vesúvio como um dos vulcões mais icônicos da história.

Há outros, pelo menos teorizados como na teoria científica sobre “As pragas do Egito” descritas na bíblia onde “o céu ficou rubro e as águas viraram sangue”.  A teoria sobre o evento é de que um vulcão na ilha de Santorini a mais de 700 km do Egito, ao entrar em erupção fez com que suas cinzas firmassem um espectro de luz que tendeu ao vermelho no céu, seus gases podem ter “eutrofizado” a água culminando num desequilíbrio ecológico que culminou a proliferação de algas vermelhas. Além dele ter possivelmente como no próximo caso, criado um chamado “inverno vulcânico” que é quando suas cinzas impedem parte da passagem de luz solar impedindo a fotossíntese e baixando a temperatura em poucos graus. Além de tudo, ele causou terremotos e maremotos que destruíram o litoral.

Esse mesmo vulcão foi um dos impulsionadores da queda do Reino dos Minos em Creta por volta de 1500 a.C,  possivelmente foi um dos vulcões mais devastadores registrados na história,  estava a poucos 200 km de Creta. Os terremotos, tsunamis e tudo descrito acima devastaram o reino ao ponto que foi facilmente invadido mais tarde pelos Micênicos. O mesmo vulcão provavelmente é inspirador da história de Atlântida, já que parte da ilha afundou e ainda há os poucos céticos que creditam tal evento as mudanças climáticas na china que moldaram sua cultura!

 

Vulcão de Santorini

Outro vulcão que culminou, ou pelo menos intensificou e acelerou um evento foi o Vulcão Laki na Islândia que explodiu em 1783. Como descrito acima, esse vulcão criou um inverno vulcânico durante a revolução francesa, obviamente esse “inverno” destruiu plantações e intensificou a fome na França! Expeliu mais gases do que toda a Europa expele hoje em 3 anos. Matou 50% dos animais e 25% dos humanos na Islândia.

Existe um Índice de Explosividade Vulcânica (IEV) que vai de 0 a 8 (a escala é exponencial, ou seja, um vulcão nível 8 não é duas vezes mais forte que um vulcão nível 4, é pelo menos milhares de vezes mais forte). A explosão do Vesúvio foi de categoria 5, assim como a do Monte Santa Helena em 2008 nos EUA(Cataclismático, 24 Megaton que equivale a 1600 bombas de Hiroshima!) A erupção do vulcão Santorini foi provavelmente entre 6  e 7 IVE (Colossal ou Super-Colossal), sendo uma das mais drásticas da história que literalmente modificou-a, sem ele talvez os Minos não tivessem caído pelos Micênicos, talvez jamais haveria As pragas do Egito na bíblia, os hebreus talvez jamais voltariam a canaã e etc.

Há outros vulcões que marcaram a história como o Krakatoa, um super erupção de categoria 6, igual ao Santorini e o Laki (colossal, 200 Megatons, 13000 vezes mais forte do que a bomba de Hiroshima ou 4  Tzar Bombs, a bomba mais poderosa testada na história!)O Krakatoa é o vulcão do tipo mais bem registrado da história, ocorreu em  1883 no sul da Indonésia, o som da explosão foi ouvido do sul da Austrália até o sul da China! Levantou uma onda de mais de 30 metros de altura, mais de 120 mil pessoas morreram imediatamente após a explosão, isso é quase o dobro dos mortos pela bomba de Hiroshima. A temperatura global baixou 1,2°C pelos 4 anos seguintes! Foi em situação parecida que a Europa foi deixada pelo Laki, o vulcão guilhotinador. Talvez sem ele a Revolução não teria tanto cunho popular, claro que foi como massa de manobra e mudou pouca coisa para eles, no final eles só conseguiram “pão e guilhotina”. Mas esse vulcão foi o nitro dessa revolução.  

Houve um vulcão de categoria 7 (Super-Colossal) registrado pela humanidade, o Tambora, também na Indonésia em 1815, que causou um inverno vulcânico de um ano! Uma área de 600km em torno da explosão ficou dois a três dias inteiros na escuridão total, a temperatura global baixou 2,5°C, chegou ao ponto de nevar em Nova York no verão! Sorte(ou não) de Napoleão, as campanhas contra Rússia foram em 1812, pois se fossem em 1816 a coisa que foi feia seria muito mais. Além de milhares de mortos, o inverno vulcânico gerou fome que deve ter matado tantas centenas de milhares de outros. Se colocar na ponta do lápis Krakatoa e Tambora mataram mais que a guerra de Secessão estadunidense, o conflito mais mortífero da história das Américas.  Foi numa situação assim, que não só os Minos e os Egípcios foram postos pelo Santorini, mas todos os povos do globo.

Gravura do Krakatoa feita dos relatos da explosão

Já que a escala é exponencial, imaginem a força de um vulcão categoria 8? Ele poderia extinguir a humanidade? Isso já quase aconteceu. A 75 mil anos atrás, ainda no paleolítico,quando o Homo Sapiens existia apenas na África, um vulcão chamado Toba (não riam) de categoria 8 explodiu adivinha aonde? Na Indonésia. Liberou cinzas o suficiente para cobrir a Argentina com um metro de espessura, baixou 15°C a temperatura média da terra, criou ou pelo menos adiantou não um inverno, mas uma glaciação que perdurou até por volta de 10 à 15 mil anos a.C, essa erupção imediatamente quase extinguiu a espécie humana, deixando-nos por volta de 2 mil a 10 mil indivíduos no mundo! Isso significa que quase fomos extintos e que há mais gente que reage aos nossos memes do que havia na terra! Esse evento que nos quase extinguiu é responsável por um crucial dispositivo evolucional chamado “afunilamento”, esses poucos indivíduos por sorte tinham características que fizeram com que resistissem eliminando os que não tinham. Eles são a nossa base genética, padronizaram nosso gene e nosso fenótipo, são os Adãos e Evas que a ciência aceita e nós somos todos netos, ou seja, somos todos parentes entre si. Isso vai ocasionar no futuro com o fim da glaciação uma nova mudança, já que passamos por mais de 50 mil anos de glaciação, teremos A maior revolução de todas, que está aqui em nosso site.   

Sim, há vulcões de categoria 8 ativos, o mais famoso deles é o Yellowstone, no Estados Unidos, sua caldeira tem lava o suficiente para cobrir o estado do Rio de janeiro com 1km de magma. No mapa, está localizado o fluxos piroclásticos com os tons de azul e rosa, os outros tons são onde “nevaria” o resto das cinzas ainda letais. Os únicos lugares livres nos Estados Unidos são o extremo sul do Texas e da Flórida. Mas fiquem tranquilos, a probabilidade desse vulcão entrar em erupção é desprezível, ainda levará algumas dezenas de milhões de anos para que Hefesto se revolte contra nós novamente.

 

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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