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Um ponto sobre os Vikings

Hoje falarei um pouco sobre os Vikings, ou em português Viquingues. Atendendo a pedidos, farei esse rápido comentário sobre algumas curiosidades e conhecimentos gerais que tenho a respeito desse tão destemido e engenhoso povo. Porém fiquem tranquilos, pretendo escrever ainda muitos artigos sobre eles. (apesar de estar com muito pouco tempo recentemente devido a minha vida acadêmica, mas farei um esforço para trazer aqui sempre conteúdo novinho procês)

Os Vikings, ah os Vikings! Oque falar desse tão único e destemido povo de saqueadores e bravos exploradores que, passavam na maior parte de seu tempo fiando redes, curando couro e cozendo madeiras e carnes de animais.

O imaginário popular a respeito desse povo faz acreditar de que eram verdadeiros animais durante as lutas, podiam literalmente “sumonar” os poderes pagãos do panteão nórdico e suportar as mais incríveis dores e avassalar nos campos de batalha! Doce ingenuidade.

Esse mesmo imaginário entende também que a vida deles era a de piratas e bandidos, que navegavam por aí saqueando por um tempo infinito e que suas vidas eram definidas essencialmente por esse espírito guerreiro.

Por último, também se acredita que suas armas, os seus terríveis machados, enormes e pesados podiam causar o mais grotesco dos ferimentos e abater qualquer oponente em batalha.

Bem, como alguns de vocês podem imaginar, todo esse imaginário é bastante romantizado e já digo aqui, foi bastante influenciado por fontes eclesiásticas medievais que narravam os vikings como seres mágicos que vinham do norte e eram uma força da natureza avassaladora, uma verdadeira maldição divina.

No entanto, nós sabemos que em história, quando se lê as fontes, devemos ser extremamente cautelosos na forma de interpretar os relatos e não cometer o erro de dotar características impossíveis aos homens de carne e osso do nosso passado.

Partindo do que ja falei, gostaria de elucidar algumas questões.

Primeiramente, toda a concepção de povo viking já é bastante complicada e pouco precisa. Na Escandinávia da Era viking por exemplo, havia uma multidão de reinos e condados controlados por senhores locais (Jarl) e pode apostar que nenhum deles se viam de uma maneira muito amigável um com o outro. Pelo contrário, guerras entre clãs e pequenos domínios eram muito frequentes e é a partir dessa frequência de conflitos, que os povos escandinavos desenvolveram sua forma única de combater.

Sobre essa forma de combater gostaria de apresentar dois argumentos:

O primeiro deles diz respeito aos povos escandinavos da atual noruega que desenvolveram um tipo de embarcação e combate altamente adaptados para a geografia local e para o seu estilo de vida. Acontece que por quase todo o litoral da Noruega, existe uma formação do relevo muito comum que é o Fjord. Esse tipo de formação consiste em geralmente dois maciços rochosos com uma abertura no meio que leva rumo à uma baía, lago ou rio. Não obstante, a geografia e o clima da região favoreceram as populações que se assentavam ao longo dessas baías protegidas e a partir dali, buscavam os recursos essenciais para a vida ( Como peixes, peles e madeira ). Esse tipo de colonização ocasionou também a fragmentação política como eu argumentei anteriormente devido a contiguidade do território geográfico ( pois os fjord separavam as populações ao longo do litoral)

Essa contiguidade dos espaços habitados e a necessidade constante de ir ao mar buscar alimento desenvolveram uma manufatura de barcos e botes bastante pioneira que resultou nos famosos barcos longos. Esses barcos, que na verdade eram bem pequenos em relação as carracas cristãs e galés árabes. Eram no entanto adaptados aos Fjordes, pois possuíam uma superfície de contato com a água rasa, o que possibilitava uma boa aproximação da costa. Além disso, os Barcos longos transportavam a quantidade ideal de homens –entre 15 e 30 sujeitos- e isso era geralmente o que cada vila podia contribuir para uma expedição de saque ou de comércio.

Pois bem, então graças à essa embarcação as comunidades norueguesas podiam entrar em contato umas com as outras, seja por meio do comércio, do saque ou da submissão política. O mesmo processo, não se pode dizer que ocorreu nas regiões da atual Dinamarca e Suécia, entretanto, o modelo das embarcações norueguesas muitas vezes foi adotado por reis Suecos ou Danos.

Então faço aqui o meu primeiro argumento de que o combate viking era adaptado sobretudo para ao mar e a guerra nos Fjordes.

O segundo argumento é complementar ao primeiro no que diz respeito a natureza dos ataques. Como eu disse, a escassez de recursos das vilas muitas vezes impulsionava os saques entre vilas e dado uma certa centralização política, esses saques se viam direcionados as regiões cristãs do continente. No entanto, ressalto aqui mais uma vez, que o povos escandinavos dificilmente podem ser vistos como uma sociedade guerreira, nós nunca podemos esquecer que a parte majoritária dos homens e mulheres ainda permaneciam nas vilas.

Dada essa natureza econômica complementar dos saques, tais expedições geralmente eram compreendidas por poucos homens, geralmente bem armados e direcionadas a pontos pouco defendidos do litoral cristão. No entanto, o principal ponto do segundo argumento é: As armas vikings eram tão ruins e o contingente dos saques tão pequeno que os vikings deviam preferir ao máximo o não combate.

Sobre essas armas, a explicação é a seguinte: Toda a forja de metais compreendida pelos escandinavos era feita usando praticamente o mesmo procedimento. Primeiro se coletava uma quantidade boa de terra rica em minerais ( geralmente com grama tbm); Depois se aquecia aquela terra até todo o metal ali contido criar uma ligação metálica e assim eles iam lentamente separando a terra do mineral metálico. A pureza da matéria prima era tão baixa que muitas vezes uma quantidade imensa de terra proporcionava apensa um pequeno punhado de metal –E ainda sim, o ferro que eles conseguiam ainda era de baixíssima qualidade-.

Pois bem, então, um outro motivo importantíssimo aos saques era a obtenção de armas cristãs e metais de melhor qualidade para serem forjados novamente. No entanto, por mais que os saques fossem cada vez mais frequentes, um contingente enorme de saqueadores Escandinavos nunca deve ter visto uma arma decente.

Essa qualidade do armamento certamente explica o porque da preferência de armas de peso em detrimento das armas de corte.

Ah, provavelmente as armas e lâminas afiadas que eles conseguiam se direcionavam para a economia doméstica ( isto é, iam para as mulheres e homens lá na terra natal que precisavam de instrumentos afiados para cortarem os peixes e separarem as peles dos animais para obtenção de couro)

Então isso e muitos outros fatores nos leva a concluir que:

Os vikings não eram um povo predominantemente guerreiro, muito pelo contrário, a maior parte da sociedade fazia o que a maior parte das outras sociedades também fazia: Produzia alimentos. E não é nem preciso ter um contato arqueológico ou de fontes para chegar a essa conclusão.

Portanto, o meu segundo argumento seria a qualidade das armas vikings era baixa e que isso teve um impacto importante na forma como eles decidiam engajar ou não em combate.

Durante um bom tempo da era viking, era assim que os saques eram compreendidos: Escandinavos sem armaduras, em pequeno número, atacando mosteiros e lugares pouco defendidos nos litorais cristãos.

Como eu disse antes da exposição dos dois argumentos -o naval e o terrestre-, os povos escandinavos se viram fragmentados por um longo período e essa fragmentação foi inclusive definidora do estilo de vida daquele povo. Entretanto, com a cristianização dos senhores mais ilustres dessa sociedade e também com a lenta porém firme consolidação da Escandinávia em reinos cristãos, a prática de saque foi cada vez mais sendo deixada de lado, o armamento ruim cada vez mais sendo substituído por armas importadas e assim, os reis dispunham de frotas grandes, exércitos melhor-equipados e dessa vez com capacidade de invasão, não mais somente de saque. No entanto, a medida que esse processo se dava, ao mesmo tempo, a era viking chegava ao seu fim.

Logo, a própria definição desse viking histórico é a de uma constelação e povos e clãs pagãos que se aventuravam e saqueavam, não como parte integral de suas vidas, mas como um modo complementar de abastecer seus irmãos, irmãs lá no norte gelado. Entender a modéstia dos guerreiros vikings nos leva a considerar mais os navegadores, pescadores e excelentes caçadores que eram. Nos leva também  a desmistificar um passado onde apenas há guerra, e observar os vikings não mais como furiosos bárbaros animalescos, mas como comerciantes, seres inteligentes e parte de um eterno jogo de sortes e virtudes humanas.

About Salomon Mebain

Fascinado por história e jogos de estratégia. Atualmente sou graduando em História e Editor da página HFMB, assim como criador de conteúdo aqui no Site.

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