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Como táxis ajudaram a salvar a França na Primeira Guerra

Neste artigo exploraremos um pouco do mito dos “Táxis do Marne”, evento no qual todos os taxistas de Paris foram convocados para transportar soldados para o fronte do Marne e “salvar” a França na Primeira Guerra.

 

Prelúdio

O ano é 1914, mais precisamente em 6 de Setembro. A Primeira Guerra Mundial estourou a menos de um mês e o exército alemão até aqui parece implacável. Depois da vitória alemã na Batalha das Fronteiras, ocorre o que foi chamado de “A Grande Retirada”, na qual o exército Francês recuou mais de 15 milhas. Inclusas na Grande Retirada ainda estão a batalha de Charleroi, outra vitória alemã contra os franceses, e a icônica Batalha de Mons, na qual a Força Expedicionária Britânica (BEF) quase viu-se perdida por completo ao tentar segurar o Primeiro Exército Alemão.

O exército alemão, sob comando de Helmuth von Moltke agora encontra-se a cerca de 40 quilômetros de Paris, ao longe, é possível enxergar a torre Eiffel.

 

Os Táxis do Marne

Com um exército em retirada, carecendo perigosamente de reforços, os franceses tentavam montar defesas próximas ao rio Marne, a última defesa antes do cerco iminente de Paris. Muitos já davam a cidade como perdida, e, com ela, a guerra. Já que a perda da cidade significaria a total destruição da moral francesa.

Trens de Paris já estavam todos sobrecarregados com artilharia ou destruídos pelos alemães, e carroças não ajudariam no momento. Na madrugada de 7 de Setembro, quando os combates no Marne já haviam começado, sob ordens do general Gallieni, cerca de 700 táxis foram reunidos na região central de Paris e utilizados para embarcar tropas. O destino: O front do Marne (na época, Paris contava com cerca de 10,000 táxis, porém a maior parte dos taxistas já estava alistada, reduzindo a frota para cerca de 2,500. Num momento de desespero, entre 600 e 700 táxis conseguiram ser reunidos na ocasião).

Conseguindo carregar cerca de 5 homens por carro, os taxistas partiram do centro de Paris até o Front, cerca de 50km de viagem. Até a manhã seguinte, cerca de 5,000 soldados seriam transportado para reforçar as frágeis defesas do general Joseph Joffre, então comandante-em-chefe das forças francesas.

 

Táxis parisienses utilizados na ocasião.

 

O mito dos Táxis

Embora 5,000 soldados seja um número pequeníssimo entre o contingente de 85,000 homens mobilizados para a batalha do Marne, o efeito moral da chegada dos reforços foi estrondoso. Não apenas entre o exército francês, mas em toda a sociedade francesa. Os homens chegaram em polvorosa no fronte, ainda mais pelo motivo de que boa maioria dos mesmos nunca nem tinha entrado em um carro antes.

O evento foi chamado de “O Milagre do Marne” (também como é conhecida a própria batalha na França). E foi usado fortemente como instrumento de propaganda francesa, reforçando a Union Sacrée (União Sagrada), um ideal francês no qual a população civil e os soldados se unem para lutar pelo bem maior.

O ocorrido não poderia ser mais efetivo, os franceses ainda conquistaram mais ondas de voluntários para o esforço de guerra com isso.

A conta dos táxis somou para o exército francês algo em torno de 70,100 Francos, aproximadamente 1.169.854 reais nos dias de hoje. A manobra ousada foi a primeira vez em que veículos motorizados foram utilizados em larga escala em uma operação militar. Além disso, a coluna de táxis que se locomoveram para o Marne, até hoje, são o recorde de maior enfileiramento de veículos já registrado (sim, maior que os congestionamentos da Marginal Tietê em horário pico em SP ou na hora do rush na ponte Rio-Niterói).

 

General Joseph Gallieni, responsável pela mobilização dos táxis de Paris.

 

A batalha

Acreditando no extremo enfraquecimento do exército francês (assim como todo o Alto Comando Alemão), o general alemão von Kluck avançou em direção a Paris, distanciando-se dos outros exércitos alemães, dando a Joffre a oportunidade de flanquear o corpo de Kluck e criar uma brecha de avanço no primeiro exército alemão, pegando o alto comando alemão de surpresa e, com isso, desferindo uma grande vitória no Marne. Esta seria a primeira vitória decisiva da Entente na Guerra.

 

Consequências

As consequências da vitória aliada no Marne foram diversas. Primeiramente o grande aumento na moral aliada, fomentando o esforço de guerra, antes em grande perigo. Além disso, com Paris protegida, os alemães correram em direção ao Canal da Mancha, assim como os aliados (ambas as forças tentaram desesperadamente flanquear umas as outras, não obtendo sucesso), evento que ficou conhecido como “A Corrida para o Mar”.

A Corrida, por conseguinte, encerra-se quando os dois lados chegam às margens do canal e, sem conseguir avançar e sem ter para onde ir, decidem ir para o único lugar possível: Para baixo. Dando fim à guerra de movimentos e início ao maior pesadelo e maior característica da Primeira Grande Guerra: A guerra de trincheiras.

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social – Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

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