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Um mundo romano continuado por bárbaros

A queda do império romano em 476 d.c marca historicamente o fim da idade antiga e o início da idade média. Neste mesmo ano, o último imperador de Roma foi deposto pelo comandante de origem germânica Odoacro; Marcando assim o encerramento de 453 anos de governo imperial quase contínuo.

Ainda assim, o império romano é visto como continuado pelo imperador de Constantinopla poise de jure, as porções territoriais ocidentais perdidas ainda fazem parte de um reinado virtual. Porém, as características desse novo império sediado em bizâncio tiveram um novo formato e será inclusive o demarcador da próxima era, até a sua queda em 1453 d.c.

As razões que marcam o declínio do império romano são diversas, mas uma explicação socio-econômica perpassa de tal maneira as outras esferas de análise que fica realmente fácil entender a história por detrás do declínio e queda do mundo romano ao ocidente.

Está se refere do comum acordo que a estagnação econômica causada pela baixa oferta de escravos causou um déficit no balanço de pagamentos no comércio internacional. Isto aliado com políticas de ostensivos gastos públicos e um oneroso populismo foram responsáveis pelo esvaziamento de todo tesouro imperial, provocando instabilidade política sem precedentes.

Há de se fazer também a enorme ressalva de que após a ascensão de Odoacro como primeiro rei da Itália (476–493 B.C), governos autônomos romanos existiram em todas as antigas regiões imperiais como na Gália, Hispânia, Bélgica e Britannia.

Há de se dizer algo sobre esses estados, pois estes foram reinos multi-étnicos que marcam uma era de verdadeiros chefes-de-guerra e antigas elites romanas mistas com os novos líderes germânicos engendrando durante séculos as características da neo-latinidade.

A miscigenação e sincretismo tanto das elites como das populações locais, romanizadas, nativas ou invasoras reinventou as extintas províncias romanas dando parte da feição moderna das culturas europeias, algo tão fundamental para história européia como Carlos Magno, o pai da Europa!

O rei Odoacro dos ostrogodos preferiu se tornar vassalo do imperador em Constantinopla que ser ameaçado por vizinhos ou até mesmo por Bizâncio.

 

A constituição política desses reinos e estados romanos independentes é de pouco conhecida, mas acredita-se que as guerras constantes e a instabilidade política causada pelos invasores vindos do Leste foi a precursora de uma sociedade protegida atrás de muros e paliçadas.

Essa nova sociedade, majoritariamente composta pela antiga classe de auxiliários bárbaros romanizados e de bárbaros recém-assimilados nunca vê roma como uma rival cultural. Do contrário, bebe dessa cultura e procura se adequar à uma romanidade cada vez mais ofuscada.

No entanto, algo brilha com cada vez mais força na europa do século V em diante, isto é, sem dúvidas o cristianismo. Enquanto o império romano se esfacelava, a fé latina se propagava, ganhando adeptos entre os chefes do Danúbio, distantes reinos célticos na irlanda e postos romanos gelados, ao longo da muralha de Adriano.

O cristianismo se torna um porta-voz não só da fé religiosa como da cultura romanizante e a esta relação simbiótica é ponto chave para entender o desenvolvimento da Europa feudal.

Rememorando os ensinamentos de Umberto Eco, a intelectualidade medieval entende no divino sua beleza e no passado romano, sua história, sua ciência, sua cultura. Os romanos são para eles como ancestrais, que os observam a distância. De forma generalizada, Chefes Lombardos, Godos, Suevos, Francos, Burgúndios, Alamanos, Anglos e muitos outros procuravam se cristianizar e fincar raízes nas antigas terras romanas, aproveitando de suas ricas terras como também de sua cultura.

Europa em 476 D.C.: Note os reinos romano-bárbaros da Europa ocidental, o reino de Odoacro e o império bizantino.

O corroimento das instituições romanas fatalmente gerou sua destruição e invasão por outros povos. Estes, por sua vez, assumiram o controle de regiões onde disputavam com outros chefes e magnatas romanos. Esse caos político e territorial provocou a constante volatilidade geopolítica da Europa ocidental ao longo de três séculos.

Esse caos só teve fim, ao passo que essa multidão de reinos neo-latinos e cheferias foram sendo conquistadas uma após a outra pelas dinastias merovíngias e carolíngias, dando assentamento permanente para a neo-romanidade e o cristianismo.

Seja como for, em meio ao caos que seguiu a queda do império em 476 d.c, os conflitos e intercâmbios deram a primeira feição as futuras culturas europeias, parte romanas e parte bárbaras. Uma vez que o cristianismo e a romanidade se transformaram em elemento orientador da nova ordem, a Europa após 476 se transformou em um mundo romano feito pelos Bárbaros.

Escrevemos também um artigo sobre a importância cultural de Roma na idade média.

 

About Salomon Mebain

Fascinado por história e jogos de estratégia. Atualmente sou graduando em História e Editor da página HFMB, assim como criador de conteúdo aqui no Site.

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One comment

  1. Leonardo José

    Artigo muito bom. Ajuda a desfazer a imagem dos povos bárbaros como apenas… bem… bárbaros.

    Conhece a tese de [Henri] Pirenne sobre o assunto ? Seria legal um artigo a respeito.

    Parabéns e sucesso.

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