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Desmistificando a República das Duas Nações

A República das Duas Nações (ou Comunidade Polaco-Lituana) é uma das mais famosas nações extintas da idade moderna. Sua mais notável marca na história- a vitória de seus hussardos contra os otomanos durante o Cerco de Viena- é lembrada até hoje com orgulho na Polônia.

Sua história de mais de 100 anos é cercada de diversos mitos e más impressões. E é sobre alguns desses mitos que falaremos hoje.

Mito n°1- A comunidade era uma república: o nome do país gera muitos enganos. A República das Duas Nações não era uma república, e nem uma monarquia absolutista, como a maioria dos países de seu tempo.

A República das Duas Nações era uma monarquia eletiva quase parlamentar. Quando o rei morria, o seu sucessor era eleito pelo Sejm (o “parlamento” polonês) e mantinha um título vitalício. E depois de eleito, o rei ainda não tinha poder absoluto- diversas funções do governo polonês eram executadas não pelo rei, e sim pelo Sejm.

Mito n° 2- Havia uma linha sucessória na comunidade: esse mito seria dedutivo se não fosse a similaridade da monarquia polonesa com a outra grande monarquia eletiva da idade moderna- o Sacro Império Romano. No Sacro Império, uma família -os Habsburgos- conseguiu se estabelecer como hegemônica e garantir a sucessão de seus herdeiros mesmo num sistema “eletivo”. Só que isso não chegou a acontecer na Polônia.

Claro, algumas dinastias conseguiram certo destaque durante os anos da “monarquia” polonesa, como a Dinasdia Jaguelônica, a de Vasa e a de Sobienski. Mas nenhuma chegou a preservar sua hegemonia por muitas gerações.

Mito nº 3- A queda da República das Duas Nações se deu apenas por um interesse externo: frequentemente, ao falar da República das Duas Nações, se costuma pensar no evento responsável pelo seu declínio: o Dilúvio Polonês- quando os monarcas da Prússia, Áustria e Rússia concordaram em atacar a Comunidade e dividir entre si grandes porções de seu território, até que ela fosse totalmente anexada.

E de fato, houveram acordos por parte desses três países para repartir a Polônia-Lituânia. Mas esses acordos se devem a um grave problema na política da República que foi percebido pelas potências estrangeiras- a facilidade com que um país mais rico conseguia eleger seus próprios fantoches ao trono polonês em momentos de guerra ou de crise.

Essa brecha no sistema político polonês foi primeiro percebida pelos suecos, que, durante a Grande Guerra do Norte (detalhes aqui), conseguiram impôr ao Sejm a eleição de um rei pró-suécia. Desde então, a Rússia e a Prússia começaram a alternar entre si o controle da Comunidade, até que a política polonesa ficou tão instável que a anexação da República das Duas Nações tornou-se algo fácil para os vizinhos.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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One comment

  1. Uma coisa adicional, a possibilidade de qualquer membro do Sejm declarar veto e encerrar uma discussão também gerou uma estagnção política no páis