Home / EXPLORED HISTORY / A queda de Constantinopla- O último bastião romano

A queda de Constantinopla- O último bastião romano

Na imagem: soldados otomanos e bizantinos se enfrentam em brecha na muralha de Constantinopla. Turquia, 1453, colorizada artificialmente.

Olá a todos! Contarei hoje um pouco sobre o evento que marcou o fim da idade média: a queda de Constantinopla.

Antes de entrar diretamente na história, terei de explicar o contexto do Império Bizantino nos anos anteriores ao cerco: trata- se dos últimos restos do que antes fora um grande império. O império bizantino, nesse período, só possui domínio sobre sua capital, Constantinopla: sede da Igreja Ortodoxa Grega.Uma cidade que prospera economicamente com o comércio, uma passagem inevitável para os navios que buscam atravessar o Estreito de Bósforo e fazer comércio no mar negro. Uma cidade isolada de boa parte da Europa por negar a autoridade papal, e ameaçada pela expansão agressiva do seu vizinho muçulmano: o Império Otomano

Nossa história começa em 1452, quando o Sultão otomano de 20 anos ,Maomé II, começa a construir fortalezas próximas das fronteiras, e seu exército passa a ameaçar os bizantinos dos dois lados da cidade.

Para evitar um conflito que resultaria num banho de sangue, o imperador bizantino, Constantino XI, oferece comida aos pedreiros encarregados das fortalezas e envia dois embaixadores aos otomanos. Maomé II ouviu atentamente o pedido dos embaixadores para que poupassem a cidade, e então ordenou que arrancassem- lhe as cabeças e as enviassem de volta à Constantino, deixando claras suas intenções.

Constantino XI então ordena a defesa da cidade. Seus homens recolhem tudo que possa ser útil para a guerra. As forjas passam a trabalhar dia e noite, fabricando todo tipo de arma. Navios zarpam para trazer o máximo de comida possível. Constantino decide abrir mão do isolamento unificar as igrejas ortodoxa grega e católica apostólica em troca de proteção, esta que os católicos ofereceram com tropas principalmente de Veneza e Nápoles. Constantinopla se preparava para a guerra,

Enquanto isso, os turcos haviam concluído a construção de fortalezas dos dois lados da cidade, isolando as rotas terrestres. Em setembro deste ano, os mesmos obtém o maior e mais possante canhão do mundo, capaz de bombardear a cidade de longe; construído por Urbano: um cristão húngaro que antes oferecera ao imperador Constantino, mas o mesmo não tinha como pagar. Maomé oferecera quatro vezes o pagamento e ainda o contrata para fazer outro quatro vezes maior.

Em janeiro de 1453, Maomé II dissera ao seu primeiro ministro “quero que me dê um presente: Constantinopla”. O primeiro ministro prepara então as forças para a invasão. Mas enquanto isso, os bizantinos recebiam com empolgação novos reforços vindos de Gênova, inclusive o lendário general Giovanni Giustiniani, que lhes prometera uma vitória e superara a rivalidade entre venezianos e genoveses na escolha do comandante.
Em março desse ano, os habitantes de Constantinopla despertam horrorizados ao olhar para o mar: os otomanos agora não apenas os cercavam por terra, como por mar. Constantinopla estava totalmente isolada.
Constantino faz um inquérito para saber quantos na cidade poderiam lutar, resultando em cerca 5000 gregos e 2000 estrangeiros para enfrentar um mar de otomanos.

Em abril deste ano, Maomé II se encontra diante da cidade, rodeado pelo seu exército de cerca de 200 mil homens, que variam desde saqueadores mal armados à forças de elite treinadas desde crianças para morrer em nome do sultão; e armado com canhões tão grandes que alguns levaram quase 2 meses para ser transportados. É ordenada a primeira invasão.

A desproporção entre as forças turcas e cristãs era clara. Cada soldado cristão era insubstituível, e os mesmos rechaçavam os otomanos com tudo que estivesse ao seu alcance: fogo grego, dardos, flechas, balas de chumbo e até pedras.

Em maio deste ano, o imperador é aconselhado a fugir, mas recusa o pedido. O mesmo prefere morrer ao lado dos seus homens. Os canhões otomanos começam a fazer brechas nas muralhas da cidade. Os estoques de comida bizantinos estão no fim, e os otomanos mandam uma enorme torre de cerco para perto da cidade para que seja possível escalar a muralha, mas os cristãos saem discretamente à noite e incendeiam a torre.
Os astrólogos informam Maomé de que dia 29 era o dia ideal para tomar a cidade, mas uma flecha é mandada para a cidade informando os cristãos do dia do ataque. Os mesmos se lembram de uma passagem a muito tempo abandonada, onde alguns soldados puderam sair, atacar de surpresa e voltar à cidade.

Ao ver seus homens recuando, Maomé ordena os ordena à tomar a cidade e os autoriza a saquear tudo por 3 dias, mas mantendo as construções intactas. Ele queria que Constantinopla fosse sua capital.

Dentro da cidade, todos corriam desesperados nas ruas, em direção à basílica de santa sofia. Todos confessavam e perdoavam à todos, sentiam como se o fim do mundo estivesse próximo. Como se isso não bastasse, uma bala turca matara o general Giovanni. A moral dos cristãos estava abalada; e em poucos minutos milhares de otomanos invadiam a cidade.

Ao perceber que não havia mais para onde fugir e que a derrota era certa, Constantino arranca suas insígnias reais para que os turcos não o reconheçam, e veste sua armadura. Constantino faz seu último discurso antes de ir à batalha e morrer, não como um imperador, mas como um de seus soldados. Seu corpo nunca mais fora encontrado.
Assim, em 29 de maio de 1453, caiu a cidade de Constantinopla, agora rebatizada de Istambul. O último baluarte do Império Romano do Oriente, marcando o fim da idade média e o início da era moderna.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

Check Also

Desmistificando o Segundo Reinado- Parte II

Algumas semanas atrás, lancei um post aqui no site desmentindo alguns exageros espalhados sobre o …