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Quando um vagão de trem virou o símbolo de recalque entre França e Alemanha

Nesse último sábado (11/11) foram celebrados os 99 anos da assinatura do Armistício de 1918. A história deste, entretanto (ou melhor, do lugar onde este foi assinado) é interessante demais para passar em branco.

 

O primeiro armistício

Tudo começou com um pequeno vagão de trem, construído em 1914 para servir como simples vagão restaurante. Isso até outubro de 1918, quando Ferdinand Foch, então comandante-em-chefe de todo o exército Francês, decidiu tomar posse o pequeno vagão e usá-lo como escritório.

No dia 11 de Novembro de 1918, o vagão foi movido para a sombria floresta de Compiègne, ao norte da França. Lá, o alto comando Aliado reuniu-se com o humilhado alto comando Alemão. Após a leitura do preâmbulo do armistício, dado pelo comando alemão, o Marechal Foch, em uma clara atitude de desdém, levantou-se e deixou o vagão. Dando a entender que não queria ouvir nem sequer palavras em alemão, ou assinar um tratado com estes, deixando a negociação para seu comando.

A humilhação não poderia ser pior. O vagão foi transferido para um museu em Paris, onde ficou como símbolo da humilhação alemã e superioridade francesa. Pelo menos por 22 anos.

 

O Alto Comando Francês após a assinatura do Primeiro Armistício de Compiègne. 11 de Novembro de 1918.
O segundo da direita para a esquerda, segurando uma bengala é o Marechal Ferdinand Foch.

 

O segundo armistício

Em setembro de 1939, entretanto, uma segunda grande guerra entre França e Alemanha eclodiu e, para tristeza dos primeiros, não terminou bem para os franceses em sua primeira fase.

No mês de junho de 1940 o Alto Comando Alemão recebeu notícia de que o governo francês desejava negociar um armistício. A oportunidade não poderia ser melhor para Hitler.

O Führer então ordena que o vagão seja tirado de seu repouso e seja levado para Compiègne. Exatamente na mesma localização em que encontrou-se 22 anos antes. Os franceses, humilhados, foram até o vagão. Hitler escolheu bem seu lugar, a mesma cadeira na qual o Marechal Foch havia sentado naquele 11 de Novembro de 1918. Logo após a leitura do preâmbulo do armistício, Hitler levanta-se em desdém e deixa a negociação para o marechal Wilhelm Keitel, comandante-em-chefe das forças alemãs, numa atitude precisamente calculada para imitar o que Foch havia feito em 1918.

Hitler (com a mão na cintura) e o Oberkommando (Alto Comando) alemão observam a estátua de Ferdinand Foch em 21 de Junho de 1940, um dia antes da assinatura do Segundo Armistício.

 

O memorial

Após assinatura do tratado, em 1918, os franceses logo construíram um monumento em Compiègne. Uma estátua de Ferdinand Foch foi erguida, uma praça na localidade do vagão e um monumento em pedra, no qual uma Águia aparecia empalada por uma espada foi colocada no lugar. Próximo a esta encontrava-se uma grande pedra na qual podia ler-se em francês:
“AQUI NO DÉCIMO PRIMEIRO DIA DE NOVEMBRO DE 1918 SUCUMBIU O ORGULHO CRIMINOSO DO IMPÉRIO ALEMÃO. DERROTADO PELAS PESSOAS LIVRES QUE ESTE TENTOU ESCRAVIZAR”.

A Águia empalada por uma espada, como símbolo da derrota alemã na Primeira Guerra.
Agora capturada novamente por alemães, logo antes de ser destruída.

 

Três dias após a assinatura do Segundo Armistício todos os monumentos franceses na localidade seriam destruídos pelos alemães.

 

O destino do vagão

Após isso, o vagão restaurante foi levado para um museu na Turíngia, Alemanha, onde ficou por certo tempo. Posteriormente levado para outro museu em Berlim, onde era exibido como símbolo máximo da superioridade alemã sob os franceses.

Entretanto, todos sabemos como terminou a Segunda Guerra. Até hoje não sabe-se dizer quem foram os responsáveis pelo feito, fato é: Em algum ponto antes da chegada aliada em Berlim, o vagão foi incendiado e logo depois dinamitado. Historiadores dizem que foi a pedido de algum membro do alto comando alemão, que temia que a história se repetisse pela terceira vez, outros argumentam que foram membros da SS em uma atitude não autorizada.

Uma réplica do vagão exibida em um museu francês.

 

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social – Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

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