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Por que o Brasil abre a assembléia geral das Nações Unidas?

Na manhã de hoje, 19/09 o presidente interino brasileiro Michel Temer subiu ao palanque da assembléia geral das Nações Unidas para fazer seu discurso de abertura para a sessão do atual ano. Essa já é o segundo ano consecutivo que Temer participa da assembléia com o discurso de abertura e antes dele, todo presidente brasileiro teve a mesma honra.

No entanto, porque o Brasil SEMPRE abre essa reunião?

É uma boa pergunta e que nos puxa para uma deliciosa digressão histórica acompanhada de alguns comentários a respeito das dinâmicas diplomáticas internacionais.

Em Setembro de 1945, ao final das 2ª GM (segunda guerra mundial), as então chamadas nações unidas –na época o nome se referia as nações aliadas contra o eixo- colaboraram entre si para fundar em apenas um mês seguinte a ONU ( Organização das Nações Unidas).

A composição dos primeiros membros dizia respeito somente aos países que entraram em aliança com as nações unidas e entraram em guerra contra a tríplice aliança do eixo. Nações neutras ou países derrotados da guerra não participaram como signatários e membros fundadores.

O Brasil, declarando sua aliança a Washington e também sendo a única nação latino-americana a combater em solo europeu, ganhou renome e prestígio internacional. A despeito de seus esforços, o brasil pode ser visto sob uma luz favorável e considerada potência vencedora junto as demais outras (EUA, CHINA, REINO UNIDO, URSS, FRANÇA).

Além do supracitado, o Brasil nesta época era um vital aliado norte-americano para ao novo jogo geo-político que já se desenhava. Na medida que a URSS se adiantava em formular a sua ocupação da Europa oriental e estender sua influência, os EUA observaram no Brasil uma útil adição ao grupo de membros permanentes no conselho de segurança da ONU.

Para quem não conhece, o Conselho de Segurança das Nações Unidas é o órgão mais nevrálgico de toda a instituição. Por ele passam as principais resoluções que ditam em boa medida a paz e guerra internacional.

Em sua estrutura organizacional, o conselho é composto por 5 membros permanentes que possuem o poder de veto -que significa a capacidade de impedir qualquer decisão mesmo majoritária- e outros 10 membros rotativos que possuem voto regular.

Antes da fundação da ONU, ainda quando era esboçada entre as potências aliadas, o presidente estadunidense Franklin D. Roosevelt colocou entre os membros do conselho de segurança o Brasil. No entanto, a União Soviética, já duvidosa à respeito da entrada da China Kuomitang, protestou até que as tensões fossem grandes demais.

Desse modo, o Brasil ficou fora do Conselho de segurança graças as pressões soviéticas, temerosas de um balanço de poder muito tendencioso para o lado norte-americano. Apesar disso, o Brasil não por menos ainda teve um papel fundamental na ONU.

Nosso país teve entre as suas mentes mais brilhantes um ilustre representante nas Nações Unidas: Seu nome foi Oswaldo Aranha. Ele foi responsável pela diminuição das tensões entre o Brasil e os países aliados ainda quando o Brasil era país neutro na guerra. Ainda depois, foi peça pivotal nos acordos brasileiros de entrada na aliança com Washington e Londres. E igualmente importante, foi seu papel em mostrar a comunidade internacional que a ditadura de Vargas, não teria a tonalidade fascista da política de exterior como a de Ribbentrop.

Aranha também presidiu a segunda reunião da assembléia geral da ONU, onde a dramática resolução sobre a criação do estado israelense tomou lugar. É conhecido que seu voto decidiu a decição internacional em favor ao estado hebreu, dando início assim ao primeiro estado judaico moderno.

Agora como o brasil ganhou o privilégio de abertura da assembléia? Bem, muitos dos ritos das Nações Unidas são baseados em tradição institucional e outros baseados em pressões diplomáticas e acordos.

Imagina-se então duas explicações: A primeira diz que o Brasil ganhou esse privilégio como “prêmio de consolação” por não ter sido incluído como membro permanente no conselho de segurança; A segunda diz respeito ao papel fundamental de Oswaldo Aranha como personagem fundador das Nações Unidas.

Talvez um último diga respeito a possível neutralidade enxergada no Brasil, como mediadora simbólica das tensões entre Moscou e Washington, mas isto talvez seja mera especulação.

Porém talvez a explicação mais provável seja a segunda em relação com a importância da tradição institucional. Eu acredito que o papel de Oswaldo e o respeito a essa “cultura” interna a ONU tenham sido ultimamente responsáveis por esse costume.

About Salomon Mebain

Fascinado por história e jogos de estratégia. Atualmente sou graduando em História e Editor da página HFMB, assim como criador de conteúdo aqui no Site.

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One comment

  1. Se o Brasil tivesse sido incluído no conselho de segurança, talvez nossas forças armadas seriam mais fortes.
    Eu não acredito em prêmio de consolação.