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Retrato do explorador Pêro da Covilhã.

Pêro da Covilhã, o Marco Polo português

Nossa história começa em 1453, nos últimos dias antes da queda de Constantinopla. Até esse momento, centenas de mercadores europeus, principalmente italianos e bizantinos, atravessavam o Estreito de Bósforo de navio e se aventuravam rumo ao oriente em busca de especiarias e tecidos, que eram vendidos a preços exorbitantes no mercado europeu.

Quando os otomanos conquistaram Constantinopla, passaram então a aumentar a tributação para os navios que atravessavam o estreito, prejudicando muitas cidades europeias cujo comércio dependia dessa travessia. Desde então, diversos países procuraram maneiras de contornar esse caminho e criar rotas mais baratas às Índias.

Em Portugal, iniciaram-se os esforços para se chegar ao oriente atravessando a costa sul do continente africano. Porém, não haviam mapas que indicavam como fazer essa travessia, e nem onde os navios deveriam aportar. Para fazer o reconhecimento do litoral leste da África e dos principais portos no subcontinente indiano, a coroa portuguesa precisava de alguém apto  e confiável, capaz de traçar o caminho por onde a armada portuguesa deveria passar.

Além disso, haviam rumores de que existia um reino cristão no oriente, há muito tempo esquecido, isolado do resto da cristandade. A coroa portuguesa começou a se interessar pela busca por esse reino, que poderia ser um aliado em potencial aos seus navegadores.

Para cumprir as duas tarefas, a coroa portuguesa designou dois exploradores de sua confiança: Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva. Pêro da Covilhã era amigo próximo do rei. Esteve ao seu lado em diversas negociações diplomáticas, e recebeu dele o título de escudeiro. Ele e Afonso foram treinados para dominar a língua árabe, utilizar ferramentas de localização e para escrever mapas.

Os dois foram disfarçados de mercadores ao Egito, de lá atravessaram a Arábia em uma caravana e se separaram no Iêmen. Pêro ficaria responsável por localizar as fontes das especiarias, e Paiva por reconhecer o litoral africano e localizar o reino de Preste João. Combinaram de, depois de terminadas as tarefas, se encontrarem no Egito e entregar o relatório à Coroa Portuguesa.

Pêro conseguiu cumprir sua tarefa, enriquecendo com o comércio durante sua estadia na Índia. Mas ao chegar no Egito, recebeu a notícia de que Afonso de Paiva havia morrido graças à peste bubônica, e eu relatório fora perdido. Decidiu então enviar seu relatório sobre a Índia à Portugal e partir em busca do reino de Preste João.

O tão aclamado Reino de Preste João na verdade era a Etiópia: o último bastião cristão na África. Era um reino pobre, ameaçado em todas as direções pelos muçulmanos. Pêro enviou uma carta à Portugal informando que não seria um aliado de grande ajuda, mas deveria ser ajudado pelos portugueses.

Em verde, o caminho traçado por Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva. Em amarelo, o caminho de Pêro para às Índias. Em azul, o caminho para a Etiópia e em preto, a rota seguida por Vasco da Gama.

Pêro da Covilhã fundou a primeira embaixada portuguesa na Etiópia. Ali ele conseguiu terras e teve filhos, tornando-se conselheiro da rainha Helena da Etiópia. Seu relatório, junto com o do navegador Bartolomeu Dias (próximo episódio), foi utilizado para traçar o mapa utilizado na primeira expedição de Vasco da Gama (que você pode ler nosso artigo sobre sua expedição clicando aqui). Além disso, Pêro estabeleceu uma forte aliança entre Portugal e a Etiópia, que durou mais de 100 anos. Sabe-se que morreu na Etiópia, mas não se sabe o ano exato de sua morte.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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2 comments

  1. Thanks, great article.

  2. Muito bom. Vc manda muito bem nos textos