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Quando a PepsiCola virou uma potência militar

Antes de começar o artigo de hoje, já vou avisando: como eu sei o quão absurda essa história soa, deixarei ao fim do artigo um link para a matéria do New York Times da mesma época falando sobre isso com mais detalhes.

Agora sem mais demoras, nossa história começa no final da década de 50, quando o mundo se aproximava do o auge da guerra fria. Ao contrário das demais empresas americanas, que viam o regime soviético como um (óbvio) obstáculo aos seus empreendimentos e nem sequer pensavam em investir em solo russo, a Pepsi Cola viu no regime uma oportunidade: apesar das diversas restrições do regime socialista e da péssima infraestrutura de transporte na União Soviética, a Pepsi não teria concorrentes por lá.

A oportunidade de vender seu produto veio a aparecer em 1959, durante uma exposição americana em Moscow de produtos do seu dia a dia, em que a Pepsi ganhou popularidade no mundo ao circular uma foto do presidente soviético Nikita Kruschev experimentando um copo da bebida. Poucos anos depois, o chefe executivo da PepsiCo pediu autorização ao governo americano para tentar fechar um acordo com a União Soviética, e a autorização foi concedida em 1972.

 

Presidente soviético Nikita Kruschev experimentando a Pepsi.

 

No mesmo ano, o acordo entre a empresa e o gigante socialista já estava praticamente pronto, garantindo ao governo soviético o direito de produzir o refrigerante em troca de uma compensação monetária. Mas restava um detalhe: a União Soviética não tinha como pagar em dinheiro. O governo soviético não tinha reserva de dólares, e o rublo não valia nada no ocidente. Para resolver isso, o governo soviético decidiu pagar pelo direito de produção da pepsi com toneladas e toneladas de vodca.

A vodca russa foi o primeiro produto alcoólico já lançado pela Pepsi no mercado, e continuou assim até o contrato chegar perto de expirar, no fim da década de 1980.

Nesse período, a União Soviética já passava pelas reformas da Perestroika e da Glasnost, facilitando a negociação entre as duas empresas. Mas ainda havia um problema: a economia soviética estava falida, assim como sua infraestrutura de transportes. Portanto a União Soviética continuava sem ter como pagar pelo acordo. E pra piorar a situação, era de interesse do governo soviético expandir a produção da pepsi, mas isso sairia ainda mais caro.

A solução: o governo soviético decidiu pagar com navios de guerra. Somados, os navios teriam um valor total de 300 milhões de dólares no mercado de sucatas, a quem a empresa venderia os navios.

A Pepsi aceitou o acordo. De início, o acordo seria a de que a Pepsi receberia 10 fragatas movidas à diesel. Mas como as fragatas não cobriam o valor esperado, a União Soviética trocou por 17 submarinos, uma fragata, um cruzador e um destroyer.

Dos dias entre o recebimento dos navios e a venda no mercado de sucatas, a Pepsi Cola não apenas foi considerada uma das maiores produtoras mundiais de refrigerante, como também uma potência militar com um formidável poderio naval.

 

Clicando aqui você pode ler a matéria do New York Times sobre isso, com mais detalhes.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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