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Os muçulmanos contra o mundo

 

A ignorância humana reside no fato de não sermos capazes de compreender tudo ao mesmo tempo nas diferentes perspectivas existentes em nossa história. Para nós ocidentais fica claro entender as cruzadas, por exemplo sob a perspectiva cristã. Entretanto, se formos procurar por uma outra forma de análise veremos que entre 900 e 1200, o mundo árabe se viu em crise e os muçulmanos literalmente estavam ameaçados pelo mundo conhecido.

Contextualização

Alguns medievalistas partilham da crença que “as cruzadas apenas trouxeram as tâmaras para a mesa de alguns lordes europeus”. Ainda que haja um enorme peso anedótico nessa afirmação, ela não explica inteiramente oque realmente aconteceu por lá e o impacto das transformações geradas a partir do século X D.C.

No nosso artigo “O Ano mil” aqui do site, eu expliquei algumas transformações experimentadas pela sociedade européia medieval. A principal delas foi um boom econômico e populacional que observou a melhoria do cultivo e da geração de riqueza. Além disso, grandes dinastias foram centralizando e acumulando poder na medida que os pequenos lordes eram deixados com menos terras para distribuir.

Esse fenômeno levou a formação de uma classe de fidalgos em expansão. Para quem não sabe, fidalgo é um filho de nobre com terras, mas que não possui nenhuma ou alguma terra insignificante. Guarda essa informação por enquanto.

A era de ouro Islâmica

Do outro lado do mediterrâneo, no oriente próximo, dois projetos de poder, aliás, três rivalizavam pelo domínio do comércio e das rotas lucrativas vindas do extremo oriente: O império bizantino; conquistadores túrquicos; Árabes e mamelucos no egito. Esses três possuiam juntos as terras mais férteis do mundo, perdendo apenas para a civilização hidráulica chinesa.

Porém, essas civilizações prosperavam não apenas em riqueza mas sobretudo em conhecimento. Artes e poesia floresceram, enquanto alquimia e matemática eram estudados em Universidades e escolas islâmicas. Filósofos traduziam textos clássicos do grego para o árabe. Um médico Muçulmano, Avicenna Trauduziu tratados médicos de Hippocrátes e Galeno que permitiram um avançado conhecimento do corpo humano e do tratamento de graves de doenças. De um modo geral, os árabes preservaram uma grande parte senão a maior do conhecimento antigo ocidental.

Essas civilizações muçulmanas após suas conquistas se voltaram para os céus e passaram a estudar as estrelas e como os antigos, mapearam e deram significados à horóscopos e mapas astrais. Passados os anos, superando a divisões políticas e conquistas internas, o mundo islâmico se modificou e seus avanços, ainda que gigantescos estagnaram.

As invasões

Duas hordas de invasores, bárbaros vindos do Leste montados em cavalos e Bárbaros vindos além-mar, em navios. Durante 2 séculos, o oriente médio, a terra santa, lar da prosperidade e berço da civilização conheceram a guerra e a destruição.

Do oeste, por terra ou pelo mar, vinham os cruzados, homens a serviço de seus reis, duques, condes e também homens livres em busca de redenção e de glória em nome de nosso senhor Jesus Cristo. Mas, ora, tais expedições nunca seriam possíveis sem a crise da fidalgugia nem a expansão econômica do século X. Os homens da época contam suas versões, mas cabe a nós, observadores do futuro de entender motivos sublinhados para os movimentos históricos.

Além disso, há também um motivo pouco comentato para o início das crusadas. Inicialmente, elas foram um pedido de ajuda do império bizantino para combater o seu inimigo a oriente, as diversas ameaças muçulmanas. Porém, o recado foi recebido como “invada os infiéis e conquiste a terra santa em nome do catolicismo”. Tudo ao bom e velho estilo Telefone-sem-fio.

A primeira cruzadas foi uma invasão difícil de conter. Ainda que os muçulmanos tivessem bem mais números ao seu favor, eles não tinham as fortificações adequadas e os europeus desde muito tempo haviam se aperfeiçoado na arte de cercos. Inclusive, foram os europeus que introduziram vários conceitos entre eles o castelo em si.

Graças a engenhosidade dos invasores, os europeus com apenas 35 mil homens conquistaram a terra santa e estabeleceram um mandato de 200 anos na região. Isso enfraqueceu consideravelmente a autoridade islâmica da região e permitiu todo tipo de avanços tecnológicos chegarem aos europeus. A conquista da terra santa e de outras regiões representou a abertura de um jogo político e comercial que introduziu os europeus como grandes jogadores do comércio mediterrânico, oque mudou para sempre a face dos séculos seguintes.

200 anos mais tarde, já no século da derrota dos estados cruzados no ultramar, uma nova ameaça cavalgava em direção ao mundo islâmico: dessa vez eram os mongóis.

A unificação das tribos mongólicas e a derrota de etnias rivais fez de Genghis Khan senhor da mongólia, que partiu em uma conquista de domínio e subjugação por toda a Ásia. Quando os mongóis cruzaram os alpes iranianos e chegaram as terras irrigadas milenares da babilônia, fizeram apenas uma demanda: “Rendam-se ou Pereçam”

Esta foi a mensagem que o Califa de Bagdá, recebeu, e este, orgulhoso dos feitos do mundo muçulmano recusou a oferta. Um tempo depois a cidade foi invadida e logo depois saqueada, queimada e completamente arrasada. A grande biblioteca de Bagdá, foi destruída e todos os rolos escritos jogados no rio Eufrates. A água do rio ficou preta com a tinta dos pergaminhos.

A perda da biblioteca de Bagdá foi comparável a perda do acervo das duas bibliotecas de alexandria e até hoje existem estimaticas do atraso tecnológico humano causado por todas essas perdas. Entretanto, muito do desenvolvimento adiquirido sob o mandado muçulmando perdurou e outra parte foi levada para a itália e preservada em bizâncio.

Ambas as invasões, a cristã e a mongol enfraqueceram de vez o reinado da civilização árabe muçulmana, porém seu legado foi levado para aquelas civilizações ligeiras e astutas o bastante. Tanto mongóis, turcos e europeus foram capazes de construir um novo mundo e forjar uma economia mediterrânica que justificasse a emergência de uma nova era, a idade moderna.

About Salomon Mebain

Fascinado por história e jogos de estratégia. Atualmente sou graduando em História e Editor da página HFMB, assim como criador de conteúdo aqui no Site.

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