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Os Francos – Parte 3

No artigo Anterior Discutimos sobre a continuação do reinado dos Francos sob a dinastia Merovíngia. Esse artigo será sobre a fase Carolíngia do reinado dos Francos.

Na imagem: Pepino, o novo ou Pepino, o Breve.

Pepino o Breve          

Pepino, em francês Pepin e se pronuncia pepan , Não significa o legume mas sim é um nome próprio então quando traduzido para o português dá origem aos terríveis trocadilhos, sobretudo com o seu título de breve (hehehe). As Razões para ele ter o título de “O Breve” são bastante complicadas de explicar logo vou dedicar depois um artigo só para isso.

Tendo adotado o Título de Rei dos Francos, Roi du Francs em Francês, representa uma continuidade da história Franca, oque justifica serem a fase carolíngia do reinado Franco. Pepin, teve um reinado longo e bastante próspero. Continuou a proteger o reino das invasões externas, unificou o sul da frança, conquistando o languedoc e anexou de vez o reino da borgonha e da Aquitânia (cuja nobreza tinha muita autonomia e por vezes estava mais subordinada aos árabes que aos Francos ).

Pepin também reformou a admnistração dos seus domínios de modo à expandir o seu poder e estabelecer relações ainda mais extreitas com o Arcebispado de roma ( o papado ). Estabeleceu um sistema de recrutamento da cavalaria mais sistemático de modo a garantir cavaleiros de maneira regular em todas as partes do reino. A cavalaria sobretudo, foi parte  importante no reinado de Pepin pois seu reinado viu guerra constantemente em todas as suas extremidades, desde a Germania (Alemanha) até a Hispania (Espanha).

Terminado o seu reinado, podemos dizer que Pepin foi um grande consolidador do poder franco e das instituições que deram firmeza para a hierarquia social. Além disso, seu cuidado com as ameaças externas e diplomacia com o papado foram igualmente importantes para aumentar a longevidade de seu reinado.

Seguindo mais uma vez a tradição, a morte de Pepin significou a divisão de seu reino entre seu primeiro filho, Carlos I (depois conhecido por Carlos Magno) e seu segundo filho Carlomano I.  No entanto, Carlomano veio a falecer 4 anos após assumir seu lugar de direito e coroa foi novamente unificada sob Carlos I.

Carlos Magno

Carlos I, o Grande  – Por isso Carlos Magno- seguiu os passos administrativos, militares e diplomáticos de seu pai. Isto é: Extreitou as relações com o Arcebispado romano, continuou as campanhas militares nas fronteiras e otimizou ainda mais a relação de suserania e vassalagem em seu reino, lançando as bases para o modelo feudal do ano 1000.

(Parêntesis Histórico) O ano 1000 é tido por muitos historiadores medievalistas como sendo a duvisão clássica entre a alta e baixa idade média. Isso porque foi um período de grandes inovações sobretudo na economia, na organização política européia e no papel da igreja. O século X representa o final de um processo iniciado pelos francos ao longo da alta idade média que se consolida e depois parte para um novo processo, já na baixa idade média.

Após a morte súbita da Carlomano foi finalmente Coroado como rei de todos os Francos, e tinha total e livre autonomia para governar sobre todos os territórios de seu Pai.

O feito mais relevante de Carlos Magno talvez tenha sido a conquista dos lombardos, pois em acordo com o papado, Carlos expulsou os lombardos e bizantinos da Italia e Doou uma parte enorme dos territórios conquistados à Roma, oque foi chamado depois de Estado pontifício ( Estado controlado pelo pontífice –Papa- ). Esse acordo também incluia a coroação de Carlos Magno como rei dos Lombardos e mais importante, a coroação dele como IMPERADOR DOS ROMANOS.

A Crise dos impérios

É preciso lembrar no entanto, que na parte I nós discutimos sobre a ascensão do reino dos Francos justamente às custas do decadente império romano. E realmente o império Romano do ocidente foi se fragmentando ao ponto de não existir mais. No entanto, o império Romano do oriente , vulgarmente chamado de império bizantino continuou existindo e dessa vez, o seu imperador era considerado soberano tanto do ocidente tanto do oriente (mesmo que não controlasse necessariamente a parte ocidental do império ).

            Chamo de Crise, pois me lembra bastante as crises diplomáticas do século 19 quando vários eventos iam se desenrolando e as potências imperiais da época iam fazendo negócios umas com as outras para resolver os desequilíbrios de poder sem que alguma guerra fosse travada ( inclusive a primeira guerra mundial surgiu de uma crises mal resolvidade dessas ). Anyway, O que aconteceu foi o seguinte: Em 797 D.C o Imperador Bizantino Constantino VI Foi sequestrado e cegado à mando de sua Mãe, Irene. A razão pela qual Irene fez isso foi simples: ela Queria ser a imperatriz ou como chamavam por lá “Basilissa”. Além de deixar todos que escutaram essa história chocados, o Arcebispado de Roma –Até então subordinado aos Bizantinos- Faltaram em ver legitimidade no governo de Irene e Pediram ajuda ao Carlos I.

Então, se antes o Império bizantino se dizia as duas cabeças da águia, agora teria um concorrente dizendo o mesmo. Só que no final das contas o que aconteceu foi que cada um ficou com uma cabeça e não discutiram mais (por que quando um não quer, dois não brigam)

Imagem na Esquerda: A águia de duas cabeças como representado na carta de brasões do sacro-império romano germânico.

Imagem na Direita: Brasão da dinastia de Palaiologos, governante do Império bizantino, também representando a águia de duas cabeças.

A partir disso, podemos então assumir que os motivos para Roma ter pedido ajuda foram tais:

-Dar o Titulo de imperador dos romanos à um governante legítimo;

-Firmar uma forte aliança com benefícios mútuos entre Roma e os Carolíngios;

-Expulsar os Lombardos e Bizantinos da Itália;

-Adquirir terras doadas por Carlos Magno;

-Separar-se oficialmente da igreja ortodoxa bizantina, estabelecendo-se como Igreja Católica Apostólica Romana;

Em troca, Carlos Magno recebeu:

-Grande parte do território dos Lombardos ( depois de uma Guerra é claro)

-Título de Imperador dos Romanos (Aumento de sua Legitimidade)

-Estreitamento dos laços entre o aparato estatal e a igreja, oque permitiu que a igreja gerisse muitos aspectos da vida comum, ou seja, uma relação de simbiose entre instituições.

Bem, depois desse ACORDÃO entre Carlos Magno e a igreja podemos dizer que foram lançadas as bases principais para o feudalismo que se seguiu. A nobreza já estava organizada hierárquicamente devido as reformas de pepino e depois Carlos I e a igreja finalmente se separou da pentarquia bizantina e pôde agir com autonomia e espalhar sua doutrina por toda Europa ocidental.

Eventualmente, em 814 Carlos Magno morreu e basicamente o seu reino passou para Luís o piedoso, um de seus filhos. No entanto, Luís morreu e deixou o Império dividido entre seus três filhos:

-Carlos, o Calvo (Rei da Francia Ocidental –França-)

-Luís, o Germânico ( Rei da Francia Oriental –Alemanha-)

-Lotário I (Imperador dos Romanos e rei da Itália)

Depois desses três, o império Carolíngio só foi unificado mais uma vez, brevemente sob o reinado do filho de Luís, Carlos o Gordo. Depois disso, o império manteve basicamente essa fratura pelo restante da idade média e idade moderna. Tendo O reino de lotário se divido em lotaríngia –Depois borgonha- e Itália; A Francia ocidental se transformou em Reino da França e Francia ocidental se transformou no Sacro-Império-Romano-Germânico.

Na imagem: A Extensão Máxima do império Carolíngio sob Carlos Magno.

Na imagem: Divisão do Império entre Lotário (Amarelo), Luís (Turquesa) e Carlos (Azul). Está também representado no mapa: De laranja, os estados papais e a fronteira não pintada de turquesa representam estados clientes associados ao Reino de Luís, o Germânico.

 

About Salomon Mebain

Fascinado por história e jogos de estratégia. Atualmente sou graduando em História e Editor da página HFMB, assim como criador de conteúdo aqui no Site.

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