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A morte do Grão-Mestre Ulrich.

O início do fim da Ordem Teutônica

 

A Ordem Teutônica

A Ordem Teutônica foi uma organização monástica e de cavaleiros, fundada em meados de 1190, durante as primeiras cruzadas, como forma de ajudar nas lutas e tratar dos feridos das guerras santas. Por duzentos anos a Ordem viu grande crescimento, até chegar a um ponto, no começo do século XV, em que a mesma se tornou um estado independente, dominando regiões consideráveis ao longo do mar Báltico, onde hoje é a região norte da Polônia, Estônia, Lituânia e Livônia.

Seus Grãos-mestres foram muitos, todos contribuíram para a prosperidade da Ordem, investindo em fortificar castelos e cidades. Seu exército era dos mais profissionais e bem equipados.

 

O conflito

Inspirados por uma rebelião lituana (a qual era incentivada pelo estado lituano), a Ordem Teutônica invadiu terras da Lituânia como reparação, invasão que foi respondida com a mobilização dos exércitos poloneses, sob comando do rei Wladislaw II.

Mesmo apoiados pelo Sacro Império (os teutônicos), como as nações envolvidas na guerra não estavam preparados para conflitos em largas escalas, as nações germânicas preferiram declarar uma trégua e não intervir no enfrentamento entre a Ordem e Polônia-Lituânia, o qual deu-se início em 1409.

Sob o comando do Grão-Mestre Ulrich os teutônicos alcançaram algumas vitórias significativas contra seus rivais, até encontrarem Wladislaw em Grunwald (ou Tannenberg).

 

Pintura medieval do confronto.

 

A Batalha

Ulrich havia planejado com cuidado. O exército polonês seguiria para o norte, onde tentaria tomar castelos da Ordem, e os lituanos seguiriam para encontrá-lo em Grunwald.

Cerca de 11,000 soldados sob o comando de Ulrich dizimaram o exército lituano, logo do início do combate, que havia iniciado com um assalto lituano no flanco esquerdo dos teutônicos, o qual falhou. O ataque falho levou as forças lituanas a recuarem para trás de uma colina, sendo perseguido pelos teutônicos. Os lituanos já eram conhecidos antes por organizarem retiradas falsas e contra-atacar, por tal motivo, os teutônicos se alongaram perseguindo os mesmos (que realmente haviam sido dizimados, não estavam fingindo). Uma vitória fácil, aparentemente.

A perseguição fez os teutônicos abaixarem a guarda de seu flanco direito, no momento em que Wladislaw chegou com seu exército. Os poloneses dobravam o número de teutônicos e seu comandante era experiente em batalha. Mesmo assim, os cavaleiros teutônicos conseguiram perfurar duas linhas de batalha dos Poloneses, chegando próximo ao alto comando, momento no qual o próprio Wladislaw não foi morto por pouco.

Aos poucos os números começaram a contar mais que os homens. Perdendo toda sua infantaria, com soldados poloneses tomando posições em sua retaguarda, Ulrich viu-se cercado.

O exército lituano ainda se recomporia, avançando contra os teutônicos pelo flanco esquerdo e retaguarda. O Grão-Mestre Ulrich, que andava acompanhado de toda a elite da Ordem Teutônica, seus maiores mestres e administradores compunham sua guarda. Numa desesperada carga de cavalaria os teutônicos eram derrotados em Grunwald. É dito que Ulrich fora quase decapitado durante seu ataque, devido à brutalidade do choque.

O restante dos teutônicos recuou até seu acampamento, onde construíram uma “fortaleza de carroças”, fazendo um círculo de carroças em volta das barracas, formando defesas. Porém estas defesas logo seriam quebradas, fontes indicam que mais soldados morreriam na defesa do acampamento do que no próprio campo de batalha.

 

A morte do Grão-Mestre Ulrich.

 

Desfecho

A Ordem teve pequenas perdas territoriais após a batalha. Os polacos e lituanos falharam em capturar a capital da Ordem, Mariemburgo, mas saíram vitoriosos da guerra, que terminaria menos de um ano depois de Grunwald. Este seria o início da decadência teutônica. Sem seu alto comando, a Ordem teve de lidar com reparações de guerra e má administração pelos anos seguintes.

A derrota, por muitos séculos, foi atribuída à cavaleiros simpáticos aos poloneses que teriam abaixado suas bandeiras, levando à desordem no campo. Contribuindo para o mito da “traição aos alemães”, que ganharia força até a Segunda Guerra Mundial e o sentimento de abandono e traição da pátria, especialmente atribuído ao povo judeu.

A nova grande nação influente no leste agora seria, na verdade, a união entre Polônia e Lituânia, sem mais grandes concorrentes.

A Ordem Teutônica nunca mais seria tão grande, mas suas últimas possessões só seriam perdidas por completo em 1809, ao serem tomadas por Napoleão Bonaparte. A Ordem, porém, existe até hoje, tendo deixado para trás seu caráter militar (apenas em 1929), sendo nos dias atuais uma ordem religiosa e de caridade.

 

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social - Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

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