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Homens desmontando estátua gigante de Lênin na Alemanha Oriental, 1991.

O fim do socialismo – Era dos Extremos

Este artigo é uma resenha do capítulo 16 do livro “A Era dos Extremos: O Breve século XX: 1914 – 1991”, escrito por Eric Hobsbawm em 1994, intitulado “O Fim do Socialismo” (p. 447-482)

O Autor

Eric John Earnest Hobsbawm foi um historiador britânico, nascido na cidade de Alexandria, no ano de 1917. Sua carreira acadêmica se confundiu com sua carreira de militância política ligada ao Partido Comunista, tendo este afirmado que a história serve a um grupo de interesse de forma que o passado estudado deva favorecer o futuro pretendido, nesta linha, o pensador, conhecido como proeminente historiador, também foi marcado por omitir os horrores do marxismo-leninismo na União Soviética.

Sua Magnum Opus é “A Era dos Extremos: O Breve Sécuo XX: 1914 – 1991”, na qual o autor divide a história do século XX em três partes: “A Era da Catástrofe” (que compreende, segundo o autor, o período de 1914 à 1945; dos capítulos 1º até o 7º), “A Era de Ouro” (de 1915 até 1973; dos capítulos 8º até o 13º) e “O Desmoronamento” (de 1973 até 1991; dos capítulos 14º até o 19º). Cada qual com uma abordagem da conjuntura sócio-política das respectivas épocas.

Entrando no final da Obra, o chamado “Desmoronamento” irá explicar como se deu a derrocada do bloco Soviético após a Guerra Fria e entrada no mundo numa época onde o capitalismo prevalece como conceito hegemônico.

Eric Hobsbawm.

Introdução

O autor inaugura o capítulo elucidando aspectos da bem sucedida revolução cultural na China e como esta, a despeito da má gestão Maoísta, fez com que eventos cataclísmicos ocorressem na República Chinesa, deteriorando o sistema e separando as duas potências socialistas da época (URSS e China).

Com a ascensão de Deng Xiaoping após a morte de Mao Tsé Tung a China finalmente conseguiu tomar rumos a um certo progresso, o utopismo fortemente nacional de Mao impediu que este admitisse graves erros em seu sistema dirigista. Entretanto, entrando na década de 80 um fenômeno se observou em todas as economias socialistas: “Na verdade, na década de 1970 era claro que não só o crescimento econômico estava ficando para trás, mas mesmo os indicadores sociais básicos, como o da mortalidade, estavam deixando de melhorar. Isso minou a confiança no socialismo talvez mais que qualquer outra coisa, pois sua capacidade de melhorar a vida da gente comum através de maior justiça social não dependia basicamente de sua capacidade de gerar maior riqueza.” (p. 457). Outro fator que contribuiu para a derrocada dos regimes socialistas foi a denominada nomeklatura, ou seja, o enorme aparato burocrático e a corrupção Soviética, que favorecia membros do partido através de subornos, nomeações nepotistas e cargos de alto escalão em setores burocráticos do governo e do Partido, elucida Hobsbawm.

A Crise do Petróleo de 1973 foi outro grande fatorial para a derrocada do socialismo, principalmente na Europa Oriental, onde, segundo o escritor, a gastança de seus governos foi a principal culpada: “O fato de que os custos da produção soviética subiram acentuadamente, enquanto os campos de petróleo romenos secavam, torna ainda mais impressionante a não-economia de energia” (p. 459). A iminência do colapso Soviético chegou primeiro nos países satélites do Leste Europeu, onde as crises da gestão e econômicas desencadearam greves e novas organizações sindicais ou sociais surgiram independentes do panorama Russo, em especial na Polônia, onde as manifestações anti-russas eram mais acentuadas.

 

O Fim do Socialismo

Homens desmontando estátua gigante de Lênin na Alemanha Oriental, 1991.

Ao chegar na cúpula do Partido, o reformista Gorbachev foi peça chave para as mudanças que precederam o fim da União Soviética, mudanças essas que só foram possíveis num panorama vertical, de cima para baixo, pois as classes média e baixa não tinham o menor conhecimento de melhores sistemas ou perspectivas, fosse por conta da forte censura do regime ou do nacionalismo exacerbado dos russos soviéticos. O status de superpotência militar foi aos poucos se tornando insustentável, entretanto, os dirigentes da cúpula soviética insistiam em mantê-lo. “O que levou a União Soviética com rapidez crescente para o precipício foi a combinação de glasnost, que equivalia à desintegração de autoridade, com a perestroika que equivalia à distribuição dos velhos mecanismos que faziam a economia mundial funcionar, sem oferecer qualquer alternativa;” (p. 468). O autor reitera que a derrocada dos regimes socialistas tanto na Europa Oriental quanto na própria União Soviética não emanaram que premissas revolucionárias, do povo ou da vontade dos governantes de acabar com os regimes, mas sim de sua própria insustentabilidade. Os ânimos populares não foram acentuados em detrimento do vácuo ideológico criado nos anos da cortina de ferro, não se conhecia ideologia que não fosse a do Partido. Entretanto, a descrença de toda a população dos satélites (incluindo elites e governantes) no sistema se mostrava cada vez mais uma realidade, e tal pensamento descrente se fez reflexo na própria URSS, e assim esta e seus satélites encontraram sua derrocada.

Mesmo nos estados remanescentes da ásia, como a China e o Vietnã, a ideia de uma economia única e centralizada se esgotou, e os estados e adaptaram para se encaixar na nova conjuntura globalizada.

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social - Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

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