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Os aviões coloridos da Grande Guerra também inspiraram algo que deve ter feito parte da sua infância.

O Circo Voador e o mito do Barão Vermelho

Antes que comece, é importante ressaltar que este artigo não é suficiente para somar todos os méritos do Barão Vermelho ou do Circo Voador, suas conquistas e feitos inspiram livros e estudos até os dias de hoje.

Rittmeister Manfred von Richthofen.

A Primeira Grande Guerra foi um salto para a tecnologia militar, as antigas táticas do século XIX começavam a ser abandonadas dando lugar a novas tecnologias e estratégias de combate. A Segunda Revolução Industrial pode-se destacar como responsável por isso, veículos automotores, novos tipos de navios de combate (como os dreadnoughts), aviões e tanques eram as novidades do momento, as quais se mostraram decisivas para os combates.

A história da aviação na Primeira Guerra Mundial é, no mínimo, emocionante. A competição para se conseguir o melhor equipamento e o desenvolvimento de táticas de vôo era feito às pressas, tudo ali, “ao vivo”. Afinal, os aviões só começariam a ser utilizados como máquinas de guerra durante o conflito.

Começando com a primeira vitória aérea da história, conquistada pelo piloto russo Pyotr Nikolayevich Nesterov, em 7 de setembro de 1914, a qual se deu de uma maneira tragicamente cômica. Na época, os aviões ainda eram extremamente experimentais, e eram utilizados unicamente com a função de reconhecimento territorial. Nesterov, realizando tal tarefa, avistou uma aeronave austríaca e, temendo pelo comprometimento de suas tropas, atirou seu aeroplano contra a mesma, matando piloto e observador na hora, levando os três à morte.

Desde então, muito mudou. Dentre as fileiras da aviação alemã (a “Luftstreitkräfte”), entretanto, surgiam algumas das maiores lendas de toda a história aeronáutica. Um jovem de pouco mais que 23 anos e seu esquadrão, dos quais muitos membros haviam sido treinados pelo mesmo, se destacava entre os demais. Manfred von Richthofen, nos idos de 1917 recebia a “Pour Le Merité”, a maior honraria de todo o exército alemão, após ter seu 16º abate confirmado nos céus da França e Bélgica. Foi em 16 de Janeiro de 1917 que Richthofen, o jovem Rittmeister (capitão de cavalaria) ascendeu ao cargo de Oficial Comandante do Jagdstaffel (esquadrão de caça, abreviado para “Jasta”) nº 11, seria o início do caminho à fama e imortalidade do esquadrão.

O Jasta 11 próximo à Douai, França. Março de 1917.

Entre 22 de Janeiro e o final de Março de 1917 o Jasta 11 já havia conseguido 36 vitórias, com o início da Batalha de Arras, em abril, o número subiu para 89. 89 de um total de 298 vitórias de toda a força aérea alemã durante aquele mês, conhecido pelos aviadores britânicos como o “Abril Sangrento”. A eficiência da unidade de Manfred era incontestável. O Jasta 11 foi composto por alguns dos maiores ases alemães da época, sendo estes:

Manfred von Richthofen – 21 vitórias, alcançando 81 até o dia de seu abate e morte;

Kurt Wolff – 22 vitórias, o qual alcançaria 33 até o dia de seu abate e morte;

Karl Schäfer – 15 vitórias, com 30 confirmadas até o fim de sua carreira;

Lothar von Richthofen – 15 vitórias, sendo este irmão de Manfred, o mesmo alcançaria 40 vitórias até o fim da guerra, a qual sobreviveria ileso. O mesmo se tornaria piloto de aviação comercial e morreria em um acidente de aviação em 1922, com 27 anos;

Werner Voss – com aproximadas 10 vitórias, sendo morto em setembro, ao enfrentar sozinho 7 áses inimigos – atingindo todos, sendo abatido após sua 48ª vitória.

Ernst Udet – 20 vitórias, o mesmo seria de grande proeminência para a formação da Luftwaffe, a força aérea da Alemanha Nazista, nos anos seguintes;

Hermann Göring – 17 vitórias, o qual seria extremamente infame durante os anos seguintes e na Segunda Guerra Mundial, chegando a ser considerado o segundo homem do Reich, depois de Hitler. Göring liderou a força aérea da Alemanha Nazista;

Entre muitos outros.

Manfred von Richthofen (no cockpit do Albatros D.III). Da esquerda para a direita: desconhecido (talvez o tenente Karl Allmenroeder); Hans Hintsch; Sebastian Festner; Karl Emil Schaefer; Kurt Wolff; Georg Simon; Otto Brauneck. Sentados: Esser; Krefft; Lothar von Richthofen.

Em 26 de Julho de 1917, o Jasta 11 seria incorporado ao Jagdschwander Nº 1, uma junção de quatro Jastas (4, 6, 10 e 11), uma união dos esquadrões mais proeminentes entre todos, comandado por Richthofen. A unidade seria terrivelmente mortal, e receberia o apelido de “Circo voador”, pois não era apenas o Barão Vermelho adepto de adicionar coloração à seu avião. A verdade é que eram raros os aviões alemães que não recebiam personalização, era possível ver um show de cores e desenhos nos céus da Europa naquele período, em contraponto com a cor bege padrão os aviões britânicos, que é creditada como uma das responsáveis pelo enorme sucesso alemão – no calor do combate não se tinha muito tempo para ficar distinguindo, enquanto as cores alemãs podiam causar certa confusão, os alemães sabiam muito bem em quem atirar sem ter que pensar muito. Outro motivo era a forma como os Jastas se deslocavam, sendo alojados em grandes tendas e levados por caminhões, como os circos. Ao todo, o JG I conquistaria 644 abates, contra 57 perdas até o final da guerra, em novembro de 1918.

A decadência do “Circo” se daria após a perda de todos os quatro comandantes dos Jastas em combate, em agosto de 1918. A entrada dos Estados Unidos e o aumento dos contingentes aéreos dos aliados dificultou a vida para os Jastas alemães, a partir do início de 1918, mesmo assim, os áses do JG I nunca deixaram de demonstrar sua superioridade tática.

Os aviões coloridos da Grande Guerra também inspiraram algo que deve ter feito parte da sua infância.

 

O documentário “Dogfights”, do History Channel, tem um episódio especialmente dedicado aos áses da Primeira Guerra, comentando sobre Richthofen e o último combate de Wener Voss, você pode assisti-lo aqui.

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social – Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

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