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Napoleão Cruzando os Alpes, por Jacques-Louis David

“Napoleon Crossing the Alps”, famous paiting showing General Bonaparte reaching the Great St. Bernard Pass, on his way to Italy, in 1800. Oil on Canvas by Jacques-Louis David, 1801.

 

A Passagem pelos Alpes

Após tornar-se consul Francês seguido do golpe de 18 Brumário*, Napoleão toma prontidões para fortalecer as tropas francesas que ocupavam a região norte da Itália, antes pertencentes aos austríacos, ansiosos para retomar a região.

Os exércitos austríacos, liderados pelo veteraníssimo general Michael von Melas, já cercavam cidades na região de Gênova. Napoleão, esperando pegar Melas com o elemento surpresa, decide então tomar a rota trans-alpina, na Suíça. Levando assim as tropas francesas a passarem pela Grande Passagem de São Bernardo, um caminho extremamente difícil pelos alpes Suíços.

 

*O golpe de 18 Brumário foi uma manobra política orquestrada pela burguesia francesa. A qual estava insatisfeita com a instabilidade causada pelo governo revolucionário. O novo estado concentrava os poderes nas mãos de três cônsules: Napoleão Bonaparte, Roger Ducos, e Emmanuel Joseph Sieyès.

As Pinturas

Ao todo foram feitas cinco cópias da famosa pintura de Napoleão cruzando os Alpes. Apenas algumas alterações foram feitas entre umas e outras, como as cores do fundo ou das vestes de Napoleão.

A versão original ficou com Joseph Bonaparte, até sua abdicação como rei da Espanha, em 1812. Ele, então, levou-a para os EUA, em seu exílio. Posteriormente seria retornada para a França e hoje se encontra no museu do Chateau de Malmaison.

A segunda cópia (do mesmo ano da original, 1801) foi confiscada por soldados Prussianos sob ordens do general von Blücher (que junto de Wellington, derrotou Napoleão em Waterloo). O general a ofereceu ao Rei da Prússia, Friedrich Wilhelm III. A pintura permanece até hoje no Palácio de Charlottenburg, em Berlim.

A terceira cópia (de 1802) foi escondida durante a restauração da monarquia Bourbon na França, em 1814. Mas sob ordens do rei Luois-Philippe I, em 1837, a pintura foi levada até o Palácio de Versailles, onde permanece até hoje.

A quarta versão (de 1803) foi levada até Milão, mas foi confiscada pelos Austríacos em 1816. Entretanto o povo de Milão resistiu a sua apreensão. Anos depois, em 1834, a pintura foi finalmente tomada pelos Austríacos e foi levada até Viena, onde permanece no Palácio de Belvedere até os dias atuais.

A última cópia (1803) permaneceu com o autor, Jacques-Louis David, até sua morte, em 1825. A filha do pintor então, em 1850, a ofereceu a Napoleão III, que a colocou no Palácio das Tulherias. Em 1979 ela foi doada ao museu do Palácio de Versailles, onde permanece junta da terceira cópia até hoje.

 

Beto Carrero, empresário do ramo do entretenimento brasileiro, posando para uma foto em imitação à famosa pintura de Napoleão.

 

É importante ressaltar que cópias na época não eram meros Ctrl C + V, uma cópia poderia levar meses para ser feita.

 

A versão de Delaroche

No ano de 1848, o artista Paul Delaroche visitava o museu do Louvre e comentava sobre a implausibilidade e teatralidade da versão de David. O pintor então decidiu fazer uma versão mais realista da obra, que mostra Napoleão sob uma mula, passando por um caminho congelado com casacos de frio. O autor disse nunca ter a intenção de diminuir Napoleão ou fazer troça, na verdade, Delaroche tinha grande admiração pelo Imperador Francês. A pintura, segundo o próprio, é apenas uma representação fiel à realidade dos fatos.

 

“Napoleão Cruzando os Alpes”, de Paul Delaroche, 1850.

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social – Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

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