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Como era ser médico na Idade Média?

Para alguns historiadores, a idade média foi uma era sombria e marcada pelo atraso no oeste europeu. Para outros, foi uma era de ouro para diversas áreas do conhecimento. E a medicina medieval não deixa de ser assunto para os dois lados dessa discussão. E justamente por isso que falaremos um pouco sobre ela hoje.

A medicina antes da Idade Média

Para que se possa entender a medicina na era medieval, é necessário compreender como ela funcionava antes. Em resumo, diversos povos da idade antiga contribuíram no desenvolvimento da medicina. Mas o que mais deixou marcas escritas foram os gregos, por meio dos escritos deixados por Hipócrates.

A grande contribuição de Hipócrates foi de trazer à medicina a noção de que o corpo humano era formado por uma estrutura lógica resultante de processos naturais. Porém, sua medicina ainda era cheia de misticismos, frequentemente se utilizando da astronomia e de princípios da alquimia.

Outra característica marcante da medicina antiga e que certamente foi seu maior contraste com a medieval (o que será explicado mais tarde), foi a dispersão do conhecimento médico. Cada povo antigo tinha sua própria versão da medicina, e o conhecimento gerado por um dificilmente se espalhava para os demais. Cada técnica e teoria médica costumava ficar nas mãos do povo que o descobriu, tornando a medicina um campo disperso, e não uma ciência unificada.

A Medicina Medieval

As primeiras décadas da era medieval foram uma era de grande obscuridade para o conhecimento no oeste europeu. A turbulência política causada pela queda do Império Romano do Ocidente, a preocupação de cada povo em se proteger dos vizinhos e de saqueadores e a dificuldade de comunicação entre cada cidade e feudo da época fez com que muito do conhecimento científico (ou quase científico) obtido até aquele momento fosse perdido.

Mas isso não impossibilitou com que uma instituição fosse capaz de criar raízes na Europa e se dedicar com mais calma ao conhecimento: a Igreja Católica.

Enquanto que as cidades e vilarejos medievais eram alvo de guerras e saques, os monastérios por outro lado foram centros de conhecimento. Uma preocupação muito grande dos monges católicos era a de recuperar os escritos que restaram da idade antiga; recuperando assim uma série de conhecimentos da medicina, do direito, da botânica, da engenharia, da filosofia e diversos outros conhecimentos.

Apesar desse período de recuperação do conhecimento antigo não ter resultado em grandes inovações teóricas, ele possibilitou com que os conhecimentos da medicina fossem finalmente concentrados e sistematizados, reunindo em um único campo (quase) científico diversas teorias até o momento dispersas.

 

A aceitação ou negação da medicina

Um debate frequente entre teóricos católicos da era medieval era se o tratamento de uma doença podia ou não ser considerado uma atitude cristã. Isso acontecia graças a uma divergência quanto a origem das doenças.

Para uma corrente, a doença era uma forma de punição divina ou uma tentativa de Deus de transmitir uma mensagem ao homem. Por isso, para esses monges, os doentes não deveriam buscar a cura na medicina, e sim na espiritualidade. Já uma outra corrente acreditava que a doença era resultado de aflição demoníaca, e que Deus não desejava aquela doença. Os seguidores da segunda corrente procuravam também trechos da bíblia que justificassem a busca por tratamentos dentro da medicina.

De qualquer forma, a medicina foi ganhando confiança ao longo dos séculos da Idade Média, chegando a ser ensinada em diversas universidades durante o século XII. Além disso, os cirurgiões foram se tornando uma classe cada vez mais valorizada com o avançar da Idade Média, pois eram de extrema importância no tratamento dos feridos nos campos de batalha.

As cirurgias medievais

A principal função do cirurgião medieval era a de tratar os soldados feridos no campo de batalha, e não era raro essas cirurgias acontecerem ao ar livre, enquanto a batalha acontecia.

As cirurgias feitas nos feridos em combate precisavam ser feitas rapidamente, pois além do conhecimento acerca da sanitização naquela época ser muito limitado (os primeiros microrganismos só vieram a ser descobertos no século XVII, com a invenção do microscópio), a demanda por cirurgias era muito grande, não permitindo com que os médicos fizessem cirurgias muito elaboradas com calma.

Amputações e cauterizações com o paciente acordado eram frequentes nessas cirurgias, porque eram procedimentos rápidos para se livrar de um membro infeccionado por um corte. A anestesia era feita com plantas alucinógenas, e não era raro faltar o estoque dessas plantas no campo de batalha.

Apesar das cirurgias desse tempo serem cruéis e dolorosas, elas permitiram com que os médicos aprimorassem seu conhecimento em anatomia ao analisar os cadáveres feitos no campo de batalha. Além disso, noções importantes para a medicina surgiram dessa experiência, como a necessidade de se reter sangramentos no menor tempo possível.

O mito do médico com máscara de mosquito

A primeira imagem que vem na cabeça da maioria das pessoas ao imaginar um médico medieval certamente é algo mais ou menos parecido com isso aqui:

E sim, haviam médicos que se vestiam dessa maneira. Mas não eram todos.

Esses médicos mascarados eram os chamados médicos da peste. A sua função era tratar as vítimas da peste bubônica e procurar maneiras de impedir a mesma de se espalhar. Apesar de não terem sido muito efetivos, alguns deles conseguiram encontrar maneiras de reduzir os danos e a dispersão da doença.

Esses médicos eram de enorme prestígio na sociedade da Baixa Idade Média e dos primeiros séculos da Idade Moderna, graças a gravidade da peste bubônica. Um surto de peste não significava apenas uma grande perda humanitária, como poderia ter graves consequências políticas- não era raro um reino ou um império encolher drasticamente graças a um surto de pestes, como aconteceu no surto que encerrou a expansão do Império Bizantino durante o reinado de Justiniano.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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