Home / EXPLORED HISTORY / A Maior Revolução de Todas

A Maior Revolução de Todas

Revolução :

  • uma mudança repentina, radical ou completa
  • uma mudança fundamental na organização política
  • atividade ou movimento designado a causar mudanças fundamentais na situação socioeconômica
  • uma mudança fundamental na forma de pensar e visualizar algo

(Definição Dicionário Merrian-Webster -Traduzido-)

 

A maior revolução de todas não foi nem a Francesa nem a Bolchevique; Não foi nem a diplomática nem a industrial. A maior transformação humana não aconteceu nem sequer dentro de nossa história, aconteceu antes dela.

Até mais ou menos 12 mil anos atrás a humanidade vivia a mesma vida de centenas de milhares anos ou seja, basicamente como caçadores coletores. A vida era muito difícil e as circunstâncias da natureza ditavam diretamente a capacidade da humanidade de sobreviver e povoar regiões. Não obstante a essas dificuldades, ao longo desses milênios, a humanidade desde o seu surgimento se espalhou pelos grandes continentes e conquistou territorialmente o globo.

No entanto, o modo de vida caçador-coletor não permitia que grandes aglomerações de humanos de assentassem durante muito tempo em uma mesma região, já que os recursos naturais rapidamente se esgotariam. Essa simples causalidade trouxe 3 implicações diretas:

1ª- Os grupos humanos não podiam ser numerosos (maiores que centenas);

2ª- Os grupos humanos tinham de ser nômades para aproveitar regiões abundantes em recursos;

3ª- Quando eventualmente algun grupo crescia demais, destacamentos menores se separavam e povoavam regiões distantes, logo impulsionando a expansão da humanidade por diversas regiões do globo.

Podemos assim assumir que a escassês constante dos caçadores-coletores lhes impulsionou para ocupar todo o nosso planisfério e isso permitiu que culturas e civilizações florecessem nas mais diversas regiões e nas suas mais diversas formas.

Depois de muito tempo de migrações a humanidade finalmente deu o seu grande passo rumo a modernidade: passou a plantar seus alimentos e domesticar os animais. O cultivo de plantas e sua domesticação possibilitou uma enorme seguridade alimentar para comunidades cada vez maiores. A cerâmica, já conhecida, possibilitou o armazenamento seguro de grãos e insumos agrícolas para consumo. A humanidade havia pela primeira vez, dado subsídios a civilização.

Em amarelo, os pontos focais do surgimento da agricultura e em vermelho a direção da expansão desse conhecimento.

E esta civilização foi ágil a acontecer: templos foram erigidos; grandes plantações e pastos surgiram, aglomerações humanas se formaram, agora a humanidade já formava vilas, fratrias e comunidades.

As primeiras comunidades deveriam constituir algumas centenas de habitantes, com casas, pasto e campo comunal. Cerâmicas, trabalhos em metal assim como trabalhos em couro deveriam fazer parte da vida diária.

A domesticação de animais foi sobretudo importante para a agricultura

A invenção da roda e a domesticação de animais tratores também foi essencial para o início de uma nova transformação: o comércio. As trocas comerciais transmitiam conhecimentos, produtos e assim as primeiras economias locais e trocas culturais foram se estabelecendo. Não demoraria muito para que regiões inteiras se identificassem com uma determinada cultura comum.

Por outro lado, o assentamento cada vez mais constante de seres humanos sedentários e a expansão das terras cultiváveis fez crescer sociedades guerreiras especializadas no saque e na guerra que por sua vez, passaram a concentrar cada vez mais poder e riqueza.

Essas sociedades guerreiras, geralmente patriarcais, haviam estabelecido uma regra muito simples nos dias de hoje, mas que revolucionou o seu tempo: A hierarquia. O estabelecimento de sociedades com poder vertical foi mais competente em concentrar o poder das zonas rurais que as comunidades locais. Ao longo de 6 mil anos, é de se imaginar que guerras e disputas entre fratrias tenham sido constantes e aquelas mais competentes tenham por sua vez se estabelecido como elite dominante e por seguinte fundado as primeiras cidades-estado.

A cidade estado por sua vez gerou o reino e por fim o império.

A vila de Çatal Hüyük na Turquia. Note que as casas são todas juntas, não há ruas!

E assim surgiram as sociedades palacianas do vale do Nilo e do Eufrates. De maneira semelhante, aconteceu nas bacias hidrográficas da China, India e nos picos andinos. De um modo geral, a revolução do neolítico gerou riquezas locais que foram se concentrando aos poucos nas mãos de um rei todo-poderoso, geralmente divino.

As quatro civilizações do vale: Mapa representando quatro das primeiras sociedades hidráulicas da nossa história

A hierarquia da sociedade andina na Esquerda e da Egípcia na direita. Ambas eram sociedades palacianas

Outras sociedades, mais tardias como os Minóicos ou micênicos também adotaram esse sistema palaciano e extremamente hierárquico, no entanto, ambas as civilizações entraram em colapso e ao longo de centenas de anos darão surgimento a um sistema novo de organização: A pólis. No entanto, a parte histórica posterior a revolução do neolítico fica para outro artigo.

Os Micênicos.

A cultura guerreira foi muito importante para o surgimento da civilização com concentração de poder.

Os Minóicos, outra civilização palaciana

O que fica de importante para o artigo de hoje é: Sem a revolução agrícola de 12 mil anos atrás, não seria possível nem sequer que a nossa civilização existisse e portanto, é mais importante que todas as outras revoluções da história humana.

Além disso, pelo fato de ter acontecido em regiões distantes e sem conhecimento umas das outras, acho seguro dizer que a revolução neolítica foi algo inevitável e isso diz muito respeito a algumas teorias da história. Será que a humanidade teria um propósito rumo a cilização e a razão, como diria Hegel? Ou será que a hierarquização e a luta de classes, moveu a história e assim progredimos na escala evolutiva da civilização como argumenta Marx?

E assim, seja adotanto alguma filosofia da história ou não, será que os seres humanos tem algum propósito rumo a algum destino? Porque estamos aqui e porque crescemos e evoluímos dessa maneira? Essas perguntas foram vitais para o surgimento de mentalidades místicas que propiciaram o surgimento das primeirs religiões organizadas.

Mas a religião e a história não buscam tão somente entender nossas origens mas também o nosso fim, ou nossa teleologia. O fim da humanidade subscreve em si uma noção de tragetória rumo a esse fim, no qual a humanidade deverá passar até cumprir todos os requerimentos.

A partir dessa reflexão, faço a pergunta aos leitores:

A humanidade tem algum propósito? A civilização é algo inevitável?

Anexos

Guerreiro Micênico

Cerâmica micênica encontrada pela arqueólogo Heinrich Schliemann

  

Possível reconstituição de guerreiros da revolução do Neolítico

Guerreiros micênicos, uma reconstituição bastante Homérica

As Bigas, nome dado a essas carroças de combate, foram o primeiro uso bélico dado aos cavalos. As bigas também eram muito referenciadas na poesia Homérica

Bigas e Guerreiros, assim eram as guerras das primeiras civilizações

 

 

About Salomon Mebain

Fascinado por história e jogos de estratégia. Atualmente sou graduando em História e Editor da página HFMB, assim como criador de conteúdo aqui no Site.

Check Also

Desmistificando a República das Duas Nações

A República das Duas Nações (ou Comunidade Polaco-Lituana) é uma das mais famosas nações extintas …