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Companhia de lansquenetes marchando para a batalha. Itália, 1522, colorizado artificialmente,

Lansquenetes: as divas do combate moderno alemão

Os lansquenetes eram mercenários conhecidos não apenas por serem guerreiros habilidosos, agressivos e disciplinados; como se distinguiam das demais unidades de seu tempo pelos seus uniformes: cheios das mais diversas cores e detalhes.

Os lansquenetes foram criados em 1487 pelo Sacro Imperador Romano Maximiliano I. De início, utilizavam as mesmas táticas dos Mercenários Suíços: um dos corpos de mercenários mais eficientes de seu tempo; mas com o passar dos anos foram desenvolvendo suas próprias estratégias.

Ao contrário dos mercenários suíços, que lutavam somente usando piques, os lansquenetes lutavam utilizando também armas auxiliares, como armas de fogo e pequenas espadas. Os dois corpos de mercenários vieram a se enfrentar na Batalha de Biocca, em 1522. A superioridade dos lansquenetes, à serviço do Sacro Império Romano, ficou clara perante os mercenários suíços, à serviço dos franceses.

Mas o que mais chamava a atenção nos lansquenetes eram seus uniformes: coloridos, espalhafatosos e muitas vezes rasgado. Isso acontecia porque eles estavam autorizados a saquear peças dos uniformes dos exércitos derrotados; e criou-se o hábito entre eles de roubar peças separadas de cada exército que enfrentavam. O resultado disso: seus uniformes, além de muitas vezes serem propositalmente rasgados para caber nos novos donos, continham peças de diversos uniformes diferentes, cada um com sua própria cor.

Outra participação importante dos Lansquenetes em batalha foi em 1527, no Saque de Roma. O que aconteceu foi que, durante uma guerra entre o Sacro Império Romano e a França, os franceses encontraram-se sem dinheiro para pagar seus mercenários. Para não correr o risco de perder sua tropa, os comandantes franceses autorizaram seu exército, que contava, entre outras unidades, com 14 mil lansquenetes, a invadir Roma e saquear tudo que pudessem para compensar a falta dos soldos. O saque marcou o fim do renascimento italiano e iniciou uma era de enfraquecimento dos Estados Pontífices, que agora estavam fragilizados graças ao estrago dos mercenários em Roma.

Os lansquenetes começaram a sofrer seu declínio a partir do século XVII, quando os exércitos europeus foram aos poucos trocando os lansquenetes por mercenários de outras partes da Europa e por soldados nacionais. Além disso, o emprego cada vez mais frequente das armas de fogo, principalmente durante a intervenção sueca na Guerra dos Trinta anos, foi tornando o uso do pique como principal arma no campo de batalha obsoleto, e abrindo espaço para um novo tipo de combate.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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