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A Independência da Romênia e a Coroa de Aço de Carlos I

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A Romênia é um dos países mais exóticos e misteriosos do leste europeu. Um país que fala uma língua de origem latina cercado de países eslavos e mais a Hungria; com uma história rica e épica, porém desconhecida pelos demais países latinos.

O artigo de hoje será sobre o que talvez seja o dia mais importante da história romena: sua guerra de independência contra o Império Otomano. Agora sem mais demoras, vamos aos:

Antecedentes

Desde as últimas décadas da era medieval que a Valáquia, principal principado do que hoje é a Romênia, lutava para preservar a sua independência. Alternando entre alianças com seus vizinhos: o gigante Reino da Hungria e o ainda maior Império Otomano; o pequeno principado manteve seu status de país independente até cair por definitivo nas mãos dos otomanos por volta da metade do Século XV.

Já na segunda metade do século XVI, praticamente toda a península balcânica se encontrava sob domínio otomano. Isso envolve não apenas a Valáquia, como também os demais principados romenos: a Transilvânia e a Valáquia. Ao contrário dos demais territórios conquistadas pelos turcos, os principados romenos gozavam de certa autonomia, sendo governados não na condição de províncias e sim de vassalos.

As guerras que devastaram a Europa durante os séculos XVII e XVIII fizeram com que os principados alternassem de mão em mão entre o Império Otomano e o império dos Habsburgos da Áustria. Ao fim do século, a Transilvânia permaneceu nas mãos dos austríacos; enquanto que a Moldávia e a Valáquia permaneciam vassalos do Império Otomano, dotados autonomia.

A partir das mudanças filosóficas da Europa causadas pela revolução francesa e com a ascensão do nacionalismo, a primeira metade do século XIX se tornou uma era de crise na porção ocidental do Império Otomano. Gregos, búlgaros, sérvios e romenos começaram a reafirmar suas identidades nacionais e criticar a má administração otomana, iniciando uma série de levantes em defesa de sua independência.

Início da revolução

Das primeiras décadas do século XIX até a sua extinção na Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano passou por um longo período de conflitos com o Império Russo. Esses conflitos levaram os russos a criar um forte interesse pela situação dos vassalos otomanos nos balcãs, pois o crescente espírito nacionalista desses principados poderia transformá-los em aliados leais ao império.

Em 1821, ocorreu o primeiro levante separatista na Valáquia. Mas a falta de planejamento e a falta de apoio externo fizeram com que a revolta fosse um fracasso, não conseguindo a desejada independência. Mas desse levante, uma série de oficiais romenos obtiveram experiência no combate aos turcos, além de permitir aos líderes do movimento analisar com calma seus erros e acertos.

Um segundo levante aconteceu em 1848; desta vez um levante mais organizado e com a participação de membros de todas as classes sociais. As reivindicações desse levante eram mais ousadas: independência para a Moldávia e Valáquia, e emancipação para os transilvanos, que eram tratados como sub-cidadãos no império dos Habsburgos.

O levante de 1848 começou muito bem: conseguiram expulsar os otomanos da Romênia e estabelecer um governo provisório. Mas os conflitos internos entre conservadores e liberais enfraqueceram a revolta, que foi esmagada no mesmo ano. Muitos dos líderes da revolução foram anistiados, mas o Império Otomano preservou a Valáquia e Moldávia sob o seu controle.

A Guerra de Independência

A derrota em 1848 não serviu para desanimar o nacionalismo romeno. Pelo contrário: pouco tempo depois, o Império Otomano saía vitorioso contra o Império Russo durante a Guerra da Criméia; mas a vitória custou mais do que o império poderia pagar. Os enormes gastos com treinamento, armas e suprimentos deixaram um rombo na economia turca, que passou a cobrar cada vez mais impostos dos seus vassalos nos balcãs.

A crise econômica otomana revoltou os principados balcânicos. Não apenas pelo fato da crise ter sido causada pelo próprio império, mas também pelo fato do sultão ter tentado fazer com que os vassalos pagassem a conta em seu lugar. Logo os balcãs se tornaram um enorme barril de pólvora: uma região em que boa parte dos territórios não estavam sob controle direto do sultão; com movimentos nacionalistas cada vez mais populares e a cada dia chamando mais a atenção do Império Russo. E para piorar a situação para os turcos, a Valáquia e a Moldávia haviam formado uma união pessoal. Portanto se um entrasse em guerra contra o sultão, o outro ia junto.

No ano de 1877, a Rússia e o Império Otomano entraram novamente em guerra. Buscando tirar proveito do fato do exército otomano estar ocupado demais enfrentando os russos, os principados romenos e mais a Sérvia, Montenegro e Bulgária declararam sua independência, procurando por apoio russo para garantir sua separação.

A Rússia saiu vitoriosa na guerra que durou um ano, e obrigou o Império Otomano a reconhecer a independência da Sérvia, Romênia e Montenegro; além de dar mais autonomia à Bulgária. A Romênia, antes separada em dois principados vassalos do sultão, agora era um reino independente governado por Carlos I.

 

A Coroa de Aço de Carlos I

Ao contrário das demais coroas usadas pelos monarcas europeus, Carlos I dispensou o uso de metais preciosos e jóias raras em sua coroa. Para homenagear o esforço dos romenos que lutaram desde o início do século pela independência do seu país, sua coroa não foi feita de ouro e brilhantes, e sim com o aço dos canhões apreendidos dos otomanos durante a Guerra da Independência.

Seu reinado marcou um período de grande prosperidade no Reino da Romênia, e durou até sua morte na Primeira Guerra Mundial

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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