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Hussardos poloneses carregam contra exército otomano no Cerco de Viena. Áustria, 1683, colorizado artificialmente.

O orgulho nacional polonês- os Hussardos Alados

Participando de algumas das batalhas mais importantes no leste europeu durante a idade moderna em nome da República das Duas Nações, os Hussardos Alados deixaram sua marca na história da guerra graças a sua eficiência e coragem.

Os primeiros hussardos surgiram como uma unidade de cavalaria leve na Croácia e Sérvia, sendo mais tarde transformados em uma unidade definitiva na Hungria, durante o reinado de Matias I. Essas unidades foram fortemente equipadas e treinadas, feitas para realizar ataques ligeiros, pegando o inimigo de surpresa pelos flancos ou pelas costas.

Mais tarde os poloneses contrataram hussardos sérvios em suas fileiras, e os mesmos foram aos poucos se transformando em uma unidade permanente, tendo seu contingente lentamente substituído por oficiais e soldados polacos.

A partir de 1550, os hussardos húngaros começaram a adotar equipamentos mais pesados e armaduras mais resistentes, deixando aos poucos de assumir a função de cavalaria ligeira e se transformando em uma cavalaria pesada. Quando o príncipe húngaro Stefan Batory assumiu o trono da República das Duas Nações (uma monarquia eletiva formada pela união do Reino da Polônia com o Grão-Ducado da Lituânia), o mesmo passou a adotar esse modelo entre os hussardos poloneses, com algumas melhorias na sua tática e equipamento.

Os hussardos poloneses assumiram a frente em quase todas as guerras em que a República das Duas Nações se envolveu entre 1577 e 1683, cumprindo sua missão com eficiência e geralmente dando conta de enfrentar inimigos bem mais numerosos. E eram muito bem treinados e equipados: recebiam um sabre comum, um sabre longo para combate de cavalaria, uma lança, um machado, duas pistolas, armaduras de aço, um par de asas de madeira (vou falar disso mais tarde) e, às vezes, uma carabina ou um arco.

Os hussardos poloneses ficaram famosos no mundo em 1683, quando lideraram em menor número uma carga que expulsou mais de duzentos mil soldados otomanos dos portões de Viena, que estava sitiada há meses, livrando a Alemanha e o norte da Itália de uma campanha de expansão otomana. Além disso, as asas que utilizavam em suas armaduras passaram a fazer uma parte importante na heráldica polonesa, sendo utilizada até hoje em seus símbolos nacionais.

Existem três teorias quanto à origem das asas dos hussardos poloneses: uma corrente acredita que tenham surgido no combate contra os tártaros, que utilizavam laços para puxar os cavaleiros poloneses para fora dos cavalos. As asas serviriam para prender os laços tártaros e quebrar em seguida, mantendo os hussardos sobre suas montarias.

Outra corrente acredita que as asas serviriam para cobrir o horizonte, impedindo o inimigo de enxergar o fundo das fileiras polonesas. Dessa forma,  não seria possível ao inimigo deduzir o tamanho da tropa que os atacava. Por último, uma terceira corrente acredita que as asas serviriam para fazer barulho: o imenso número de penas ao vento faria um zumbido, que serviria para assustar o inimigo. O fato é que ainda não se sabe a função exata dessas asas.

Na segunda metade do século XVIII, com o rápido crescimento do uso das armas de fogo nos exércitos europeus, as unidades de cavalaria pesada na Europa começaram a perder sua função, pois as armaduras não davam mais conta de proteger contra um tiro de mosquete. Em 1776, os hussardos foram dispensados do exército polonês, sendo o seu contingente transformado em unidades de Ulanos: uma nova unidade de cavalaria ligeira, muito parecida com os primeiros hussardos da Sérvia e Croácia.

Até hoje os hussardos alados são prestigiados na história polonesa, sendo altamente utilizados em sua simbologia e representados em suas festividades nacionais.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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