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E se Hitler não tivesse atacado a Rússia?

O trabalho de um historiador, na maioria das vezes, impede que o mesmo lance cenários alternativos a partir de uma mudança factual no passado. Entretanto, por mais que não seja bem vindo na academia, certamente é bem vindo aqui no nosso site. Além disso, a história alternativa este é um exercício consideravelmente divertido, difícil de mentalizar mas muito promissor para entender as dinâmicas gerais dos eventos históricos, muito mais gerais que a história factual em si.

Um dos eventos mais decisivos da segunda guerra mundial foi a invasão da Rússia soviética pelas tropas nazistas alemãs durante o verão de 1941, em uma operação conhecida pelo nomeBarbarossa.

A operação no início foi um sucesso, o exército alemão penetrou com rapidez no território russo, enquanto este se defendia de forma precária. Demorou um tempo até que os russos se reorganizassem, seus oficiais assim como seus equipamentos e sistemas de armas. A Rússia se defendia como podia até que barrou os teutônicos por tempo suficiente.

Tempo este que foi necessário para o exército vermelho lançar um contra-ataque com força total, com tropas mobilizadas, comando reestruturado e várias divisões de blindados prontos para o combate.

No final das contas, essa história todo mundo já sabe. Hitler, assim como Napoleão, invadiram a Rússia, subestimaram-na e na tentativa de conquistá-la, selaram seu próprio fracasso.

Mas se a operação barbarossa foi sem dúvida uma das principais causas da derrota final de Hitler, o que teria acontecido se o Führer não tivesse atacado seu vizinho soviético ou então tivesse postergado a ofensiva?

Bem para responder isso, devemos estabelecer alguns cenários com redes de causalidade próprias:

Cenário 1 – Alemanha não ataca a Rússia

Bem, nesse cenário, a Alemanha teria seu exército inteiro mobilizado disponível para outras invasões continentais. O grande alvo alemão durante toda a guerra foi a grã-bretanha então o mais lógico é assumir que sem abrir um segundo teatro de operações, as forças armadas alemãs organizariam um ataca em larga escala.

O problema com isso no entanto é que a Kriegsmarine alemã ainda estava em larga desvantagem numérica em relação a marinha real britânica, isso sem contar com o apoio logístico e defensivo que a marinha norte americana fornecia aos ingleses.

 Nesse cenário, é muito provável que um desembarque anfíbio alemão fosse fracassado. Além disso, mesmo que o desembarque fosse um sucesso, a marinha alemã teria de manter o canal da mancha livre de quaisquer contra-ataques marítimos ingleses, pois do contrário, certamente a infantaria e os blindados alemães se encontrariam cercados e sem suprimentos para manter o avanço constante por toda a ilha.

Uma vez tendo o canal da mancha seguro –cenário muito pouco plausível- o exército alemão encontraria grandes dificuldades em penetrar no território inglês. A grã-bretanha em 1941 já contava com um largo apoio econômico e logístico yanke e certamente os EUA entrariam na guerra antes que a Alemanha conseguisse conquistar toda a ilha. No entanto, se Hitler ameaçasse terraplanar Londres, como ameaçou Paris, talvez pudesse negociar uma rendição. Ainda sim, que fique dito que uma invasão anfíbia seria de poucas chances de sucesso.

Uma vez descartado o ataque a URSS e grã-bretanha, o foco do terceiro Reich poderia se dar em três direções, todas ao sul: a primeira delas à Espanha; a segunda ao norte da África e a terceira ao oriente médio. Nesse cenário, a Alemanha poderia optar por uma das direções ou as três, de forma sucessiva ou sincrônica.

A Espanha de Franco, -aliada neutra de Hitler- resistia em dar apoio bélico e logístico ao terceiro Reich e por isso, o estreito de Gibraltar continuara por toda a guerra um importante ponto estratégico britânico. Com ele, as frotas aliadas tinham livre acesso entre o atlântico e o mediterrâneo e as operações navais –forte da grã-bretanha- eram dadas com velocidade e eficácia.

Caso hitler pressionasse Franco, poderia mover suas tropas e sua marinha de modo a capturar Gibraltar, em seguida fortificando o estreito com artilharia anti-naval e bloqueando a livre passagem da frota inglesa. Esta estratégia seria de grande ajuda para as operações alemãs no norte da áfrica e no oriente médio, que se viam ameaçadas com os constantes reforços das forças aliadas.

Uma vez capturando o Gibraltar, as operações no norte da áfrica poderiam ser tomadas com maior êxito e Rommel estaria em melhores condições de enfim, tomar o estreito de Suez, outro funil naval de grandiosa importância.

O canal de Suez, construído com capital Anglo-francês, foi uma via aquática que ligou o mar mediterrâneo ao oceano índico e assim, facilitando o transporte e comunicação entre Londres e suas possessões no oriente. Caso as divisões alemãs na África capturassem Suez e fortificassem-na, os alemães teriam o mediterrâneo com lago germânico e poderiam lançar suas operações rumo aos ricos campos petrolíferos da Arábia e Iraque.

Tendo vedado o mediterrâneo, os alemães poderiam assim tomar controle das ricas reservas de petróleo que abasteceriam seus mecanizados e aeronaves tanto quanto foram os suprimentos de petróleo adquiridos da Rússia Ocupada.

Talvez com o avanço alemão beirando a Pérsia, talvez Hitler decidisse pressionar o Raj Britânico pelo oeste enquanto o Japão enfrentava os aliados no pacífico e na Indochina.

De toda forma, mesmo com estes grandiosos sucessos, a Alemanha se veria ameaçada  com uma inevitável entrada Norte-americana do lado aliado. Talvez Pearl Harbour não tivesse acontecido, mas mesmo assim, é pouco convincente assumir que os EUA não estivessem temerosos de um mundo cada vez mais dominado pelo nazi-fascismo.

No final das contas, na medida que Hitler se expandisse sem atacar a União soviética, esta se fortalecia e se estruturava, mantendo uma paz armada que cedo ou tarde irromperia em um conflito. Talvez se a Alemanha mantivesse a guerra arrastada contra a Inglaterra e EUA, a Rússia, tendo se preparado o suficiente, romperia por si só o pacto Russo-germânico e pegaria de surpresa o regime nazista.

Minha opinião histórica é de que o terceiro Reich, sendo inevitavelmente rival de EUA, Inglaterra e Rússia, nunca poderia de fato dominar o mundo.

Entretanto, se por uma proeza militar e dentro de um cronograma apertadíssimo Alemanha infligisse um golpe certeiro no russo dos urais, talvez houvesse uma pequena chance.

Daí vamos para o segundo cenário.

Cenário 2 – A Alemanha ataca a Rússia depois de conquistar o mediterrâneo e Oriente médio.

Esse cenário é complementar ao primeiro e oque se segue é um combate entre duas potências, agora enrijecidas por sua industria e completamente mobilizadas para um conflito de larga escala.

O tempo que a Alemanha levou das operações no Gibraltar até a o oriente médio, foi suficiente para a Rússia soviética se preparar para entrar na guerra.

A grande vantagem dos alemães no entanto, seria uma estratégia de pinça: Enquanto que uma parte do exército se deslocaria em colunas amplas pelo leste europeu, uma outra parte, invadiria pelo cáucaso, podendo surpreender e frustrar as capacidades defensivas soviéticas.

Para ter êxito, a Alemanha teria de utilizar todo o seu potencial aéreo e para isso, a pacificação do mediterrâneo cairia como uma luva. Se Hitler conseguisse defender toda a Europa ocidental de um contra-ataque aliado sem utilizar aeronaves, então o domínio da Terra-mãe seria algo tangível.

Ainda sim, a Alemanha se colocaria em um conflito contra um oponente muito grande, numeroso e agora, preparado. Talvez a melhor esperança de uma vitória nazista não estivesse nos campos de batalha.

Sobre isso, eu proponho duas soluções para uma possível vitória alemã: a diplomacia e a espionagem.

A primeira delas é bem fácil de explicar: Bastaria uma coordenação do projeto de conquista global com o japonês e talvez uma aliança com a China.

O Império japonês já havia engajado em um conflito com a Rússia algumas vezes e ambos haviam decidido por assinar um pacto de não-agressão. Dessa forma, o império do oriente voltou sua atenção aos EUA. Se o japão tivesse guardado suas capacidades bélicas para o conflito com a grã-bretanha e futuramente em um ataque combinado com os alemães, haveria uma chance real de uma vitória ou pelo menos um acordo de paz tático para manter os russos quebrados durante um tempo.

Se uma guerra combinada Teuto-nipônica contra os Russos, pelo menos reduzisse sua capacidade de lutar, isso já seria bom o suficiente para o amadurecimento de um futuro e dessa vez definitivo ataque as ilhas britânicas.

Além disso, as pretensões imperialistas japonesas na China poderiam ter sido canalizadas para as regiões aliadas e caso a China tivesse permanecido neutra já seria bom o bastante para o grande jogo de conquista global do eixo.

De maneira ainda mais ousada, o eixo poderia usar da ameaça ou da diplomacia para fazer a china prover apoio logístico ou até bélico para seu lado, inclusive apoiando facções dissidentes dentro de uma china fragmentada por guerrilhas e generais desertores.

A segunda solução, esta de inteligência-espionagem certamente é a mais arrojada e a minha preferida.

Caso a Alemanha investisse mais na sua inteligência infiltrada na Rússia soviética, esta poderia aproveitar ainda mais o autoritarismo e a paranoia de Stalin contra seu próprio regime. Caso Hitler mantivesse uma paz com os russos ao passo que sabotasse ainda mais a cadeia de comando, a Rússia se veria enfraquecida para lidar com um abate final pelo eixo.

A mesma estratégia poderia ser dirigida a China, como aqui explicado, esta se via em constante tumulto político e instabilidade devido as guerras entre facções e exércitos privados.

Talvez com uma habilidosa diplomacia e espionagem, algumas facções exércitos poderiam ser seduzidos a atacarem o norte siberiano e assim engrossando as fileiras do eixo.

Ainda que todas essas estratégias contra a Rússia soviética fossem bem sucedidas, ainda haveria a grã-bretanha e os EUA para derrotar, mas isso fica para outro artigo

About Salomon Mebain

Fascinado por história e jogos de estratégia. Atualmente sou graduando em História e Editor da página HFMB, assim como criador de conteúdo aqui no Site.

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5 comments

  1. Toda questão da estrategia na guerra pela Alemanha, era baseada em uma invasão agressiva usando a blitzkrieg e logo após isso, uma busca para um armísticio ou rendição por parte dos países invadidos, pois eles mesmos acreditavam na politica de propaganda do Terceiro Reich. A Alemanha detinha o conhecimento para a criação de altas tecnologias de guerra, mas não os recursos para fazerem elas funcionarem para uma guerra longa, por isso usava muitas vezes da politica, propaganda e amedrontamento de seus inimigos para rendição deles.
    A questão da invasão da Russia é ainda mais intrigante, pois Hitler não tinha conhecimento da extensão da força do exercito vermelho. Alguns historiadores creditam a vitória da União Soviética ao inverno russo, mas a verdeira causa foi Stalin conseguir esconder sua verdadeira força que só ficou evidente a partir do contra ataque iniciado nas margens do rio Volga que é conhecido como a batalha de Stalingrado.
    Com certeza a invasão à União Soviética foi a pior decisão de Hitler, não só porque estaria fazendo um grande inimigo, mas sim pela sua ingenuidade em não coletar informações do inimigo que não o fariam declarar guerra contra Stalin e a ilusão de invencibilidade que o levou a lutar uma guerra de dois fronts.

  2. Muito bom artigo,parabéns…

  3. Rafael de Lima Bordoni

    E o que acham da possibilidade dos alemães desenvolverem uma bomba atômica? O grande físico Heisenberg era alemão e ariano puro, um dos acadêmicos da Alemanha que não precisou fugir quando o regime nazista começou. Ele é um dos nomes mais importantes da física nuclear e há muita polêmica quanto a pesquisa dele durante a Segunda Guerra. Obviamente, a Alemanha também queria desenvolver uma bomba atômica. Heiseinberg desenvolveu o primeiro reator nuclear alemão, e com esse conhecimento ele certamente saberia desenvolver uma bomba atômica, visto que o princípio é o mesmo. Diz a lenda que a construção deu errado porque havia um erro no projeto, um erro bem básico que não havia como Heisenberg cometer depois de ter tido sucesso no reator. A lenda diz então que o físico alemão errou de propósito, para não ajudar Hitler a dominar o mundo.

    Talvez se Hitler não quisesse atacar a Rússia ele decidisse focar seus esforços em desenvolver a bomba, que seria certamente uma forma definitiva de acabar a guerra. Talvez se ele pressionasse mais os físicos do projeto, Heisenberg não seria capaz de segurar aquilo por muito tempo. O que teria acontecido se eles tivessem tido sucesso? Será que eles jogariam a bomba em alguém? Se sim, certamente não seria na Inglaterra e nos EUA devido a tecnologia de radar que tinham desenvolvido, seria muito mais difícil. Já a Rússia e o resto do Mediterrâneo que não foi dominado… Com uma ação dessas, jogar a bomba seria pedir pros EUA jogarem a deles na Alemanha e possivelmente começar o grande projeto de destruir o mundo. Será que o primeiro teste com sucesso da Alemanha com uma bomba atômica marcaria o fim da Segunda Guerra e iniciaria uma guerra fria diferente? Como essa guerra fria acabaria?

    • Bom, os aliados fizeram sua bomba nuclear literalmente roubando material dos alemães. A operação militar mais bem sucedida da história foi justamente para roubar galões de água pesada (um material utilizado nos reatores nucleares) dos alemães e destruir a fábrica, que ficava na Noruega. Mas eu acredito que se os dois lados desenvolvessem armas nucleares, certamente seriam utilizadas para fazer pressão sobre o outro nas negociações, e só seriam usadas como último recurso.

      #Sionisthitler

      • Rafael de Lima Bordoni

        Pois é, eu também acho mais razoável que a guerra acabasse assim que o segundo lado desenvolvesse sua arma nuclear. Talvez Hiroshima e Nagasaki ainda existiriam e a Alemanha teria mantido consigo a França, Polônia e outros países invadidos por mais tempo. Eventualmente o conhecimento se difundiria e a Rússia, Japão, Itália e Inglaterra (talvez todo mundo, haeuehau) teriam sua bomba nuclear “just in case”. A Guerra Fria seria muito pior, e a cultura dos países invadidos pela Alemanha nazista teria sofrido bastante.