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Famoso atirador Simo Häyhä apresentando seu fuzil usado na guerra de inverno. Finlândia, 1939

A história dos franco-atiradores

Apesar de serem uma das unidades militares mais notáveis dos dias de hoje, pouca gente sabe como nasceram as unidades de franco-atiradores. E é sobre a origem dessas unidades que vamos falar hoje.

Para compreender a origem dos franco-atiradores, é necessário conhecer a unidade que os antecedeu na idade moderna: a infantaria ligeira.

Infantaria ligeira era o nome dado até meados do século XIX aos atiradores de fuzil. Ao contrário dos mosquetes, que eram a arma dominante no combate até o momento, os fuzis tinham o interior do seu cano raiado; o que permitia uma precisão e alcance muito superior ao dos mosquetes de alma lisa. Por outro lado, precisavam fazer mais força ao carregar suas armas, tornando os fuzis uma arma mais lenta.

Essas unidades foram usadas em peso por Napoleão para cobrir o avanço de grandes contingentes de infantaria, limpando o terreno para que as unidades armadas com mosquetes passassem. Mas assim como a era napoleônica foi o ápice do uso da infantaria ligeira, ela foi seu declínio. Poucas décadas depois, surgiu um novo tipo de munição chamada Minnié: uma munição que podia ser introduzida em armas de alma raiada sem muito esforço. Isso fez com que os fuzis deixassem de ser uma arma exclusiva da infantaria ligeira, e passasse a ser usada também pelas unidades de infantaria de linha; tornando a infantaria ligeira uma unidade obsoleta.

Apesar da gradual extinção da infantaria ligeira e da popularização dentro das unidades militares de armas mais precisas; alguns experimentos de unidades especializadas no combate ao longo alcance ainda foram realizados pelos britânicos durante a Guerra da Criméia. Alguns soldados recebiam fuzis especiais, com lunetas e fuzis especiais, ainda mais precisos do que a munição de Minnié (só que novamente, mais demorados de carregar) para eliminar os oficiais à distância. Apesar do bom desempenho, essas unidades não chamaram muito a atenção do alto comando britânico, sendo abandonados ao fim da guerra.

Apesar dos fuzis de precisão não terem despertado o interesse dos britânicos, eles tiveram sucesso entre os oficiais dos Estados Confederados da América, o país formado pelo sul dos estados americanos durante a Guerra de Secessão. Os oficiais confederados decidiram adotar os princípios dos atiradores especiais britânicos e acrescentar uma tática utilizada pelas milícias americanas da guerra de independência: o combate em guerrilhas, que utilizava a furtividade para atacar o inimigo em momentos em que estivesse com a guarda baixa.

Essas novas unidades se tornaram o que hoje são os franco atiradores: unidades furtivas, equipadas com fuzis de longo alcance, com o objetivo de neutralizar alvos importantes à longas distâncias. A eficiência dos franco-atiradores confederados obrigou o exército da União a adotar a mesma unidade, que foi preservada e aprimorada desde o fim da guerra.

Desde então, tais unidades nunca caíram em desuso pelo mundo. Na primeira guerra mundial, os franco atiradores foram amplamente utilizados pelos dois lados na proteção das trincheiras e também para abater oficiais e operadores de metralhadoras. Na segunda guerra mundial; as técnicas de combate a longo alcance foram aprimoradas ao ponto de alguns atiradores ficarem famosos por abater centenas de unidades inimigas; como foi o caso do atirador finlandês Simo Häyä, que abateu cerca de quinhentos soldados soviéticos na Guerra de Inverno; o atirador russo Vassili Zaitsev, com mais de duzentos alvos atingidos; ou a atiradora soviética Ludmila Pavlitchenko, responsável por mais de 300 baixas alemãs.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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One comment

  1. Adorei o site, meus parabens!