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Fim.

A Guerra só é bonita nos livros – Nada de Novo no Front

Novamente um review HFMB, dessa vez sobre o filme americano All Quiet on the Western Front (Nada de Novo no Front), um clássico filme anti-guerra de 1930, baseada no livro de mesmo nome, do escritor alemão Erich Maria Remarque.

Resumo (pode conter spoilers)

O filme nos leva de volta ao fatídico 1914, ano em que eclodiu a Primeira Guerra Mundial. Começamos um uma cidade em polvorosa, grandes ânimos e festas enquanto um professor entusiasmado convence seus alunos a se alistarem e servirem à pátria.

“Para Paris!”

O ânimo logo se acaba quando o grupo de amigos (durante a Grande Guerra era possível alistar-se em grupo, fazendo com que as unidades fossem compostas por amigos e familiares) chega ao front. Seus sonhos de glória e heroísmo são abatidos pela visão da destruição, sofrimento e, acima de tudo, monotonia do front. Levando alguns dos membros a ter vários surtos, chorarem ou simplesmente abater-se como se enfrentam a pior das depressões.

A chegada no front.

Com o passar da trama, vemos que trata-se, na verdade, da história de Paul Bäumer, um dos jovens daquela turma. Diversas vezes vemos a unidade de Paul abater-se com questionamentos existencialistas, especialmente em relação à morte. Que lentamente deixa de assustar os homens, ao ponto de se tornarem completamente niilistas quanto à importância da vida humana, incluindo suas próprias.

“Por que nós lutamos? Tenho certeza de que se não fossem estes uniformes nós seriamos bons amigos. Perdão!”

 

“Por que o Kaiser iria querer uma guerra?! Ele já tem de tudo!”

Com um clima sombrio e a constante ameaça da morte pairando sobre todos, o grupo de amigos gradativamente vai se reduzindo, tornando Paul um sujeito cada vez mais inumano, tirando sua empatia e amor, ao mesmo tempo que ainda podemos ver apenas um jovem na casa de seus 20 anos que ainda “gostaria de ser uma criança e chorar no colo de sua mãe” (citação do filme). A falta de comida, a convivência com pestes (ratos, pulgas e a loucura, porque não?) demonstram apenas pequenas partes da realidade cruel de ser soldado. O conflito choca-se diretamente contra a jovialidade dos personagens, que sonham com vidas tranquilas, mulheres e uma juventude que nunca terão.

“Eu havia me esquecido que existiam mulheres como essa”

Nada de Novo no Front nos mostra uma triste realidade: As trincheiras da Primeira Guerra Mundial estavam cheia de jovens e adolescentes. Apenas no exército inglês, cerca de 250,000 adolescentes com menos de 18 anos alistaram-se e foram enviados ao front.

– Quantos anos você tem?
– Dezesseis.

A mensagem do filme é explícita: A guerra trás o pior que há no ser humano, e quem a luta são as classes baixas e médias da sociedade. Tal mensagem trouxe grande perigo posteriormente ao escritor e roteirista da história, Erich Remarque: O escritor seria perseguido pelo regime nazista por propaganda antipatriótica e muitos de seus livros seriam queimados.

 

Avaliação:

 

“Nada de Novo no Front” certamente é uma das maiores referências em filmografia (e bibliografia) sobre a Primeira Grande Guerra, sendo uma das primeiras obras a mostrarem a terrível realidade da guerra para o mundo. O filme em si carrega uma mensagem potente e marcante.

Sua produção, entretanto, peca em alguns aspectos. Muitos pela limitação da época, o diretor diversas vezes teve de improvisar com o que tinha, primeiramente com uma quantidade razoável de figurantes, que muitas vezes cometem erros de atuação (se mexer e respirar diversas vezes quando deveriam estar mortos), além de termos diversas cenas exacerbadamente aceleradas para tentar dar um tom mais frenético. Além de diversas atuações parecerem um pouco forçadas.

Alguns artifícios visuais, como explosões, são incríveis de se ver, muitas pelo fato de terem sido de verdade, porém o som das mesmas parece ser sempre o mesmo, e os disparos dos fuzis é característico dos filmes antigos: deplorável. Mas nada que possamos reclamar, não é mesmo?

Apesar disso, sua história bem contada, em uma sequência bem produzida, além da ótima atuação de Lew Ayres, no papel de Paul Bäumer supera todas as expectativas. Sendo de grande valor para qualquer entusiasta de filmes de guerra, sejam novos ou antigos. Com duração de 2h13m, “Nada de Novo no Front” faz valer cada minuto.

Fim.

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social – Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

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One comment

  1. Boa noite, boa madrugada, bons… Adoro as matérias da página. Gostaria de pedir algo relativo à 1a. G. M. Gosto de trabalhar, quando me há tempo com temas da 1 guerra. Não existem tantos como a segunda.
    Existe um episódio que vi num documentário sobre a Trégua no Natal de 1915 na Europa, entre ingleses e alemães. Por sete dias , entre o Natal e ano novo, os soldados de ambos os lados colocaram de lado suas armas e ao ouvirem um “noite feliz” de um lado, o outro lado completou a música natalina. Em pouco tempo já haviam sentado uns com os outros, mostrando cartas, fotos dos filhos, esposas… Trocaram até presentes. Um bolo mofado , um pão morrido e duro, mas talvez a melhor das ceias. Jogaram até futebol em meio ao lamaçal. Mesmo com os comandantes sabendo q isso daria corte marcial, fingiram não saber. Metade de uma garrafa de vinho já meio azedo, foi dividido um um pão que já tinha certo bolor. Depois de uma semana, apesar dos desmentidos, os dois lados ameaçaram corte marcial com execução. Mas nenhum dos dois lados, agora já conhecidos, queria ferir um ao outro. Foram longas noites de desperdícios de munição, que era jogado ao céu. Gostaria que vcs fizessem uma matéria a esse respeito. Se possível anexando imagens e filmes de época, pq sei que existem, mas não os encontro mais. Seria bom mostrar o lado humano e não só o selvagem do homem. ABS.