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Cavalaria gaúcha marchando para a batalha durante a Guerra dos Farrapos. Rio Grande do Sul, 1839.

O período da nossa história que não te ensinaram: A Guerra do Prata – Parte I

Camaradas, hoje falaremos sobre a Guerra do Prata, também chamada por alguns historiadores de Guerra contra Oribe e Rosas: um assunto muitas vezes nem tocado nas aulas de história, mas que foi um momento decisivo da nossa história, responsável por marcar a hegemonia brasileira na Bacia do Prata e por transformar a Argentina em uma federação pra deixarem de ser imbecis.

Nossa história começa em 1828, logo após a Guerra da Cisplatina. Com derrota mútua do Brasil e da Argentina, que saíram da guerra com a economia quebrada e sem conseguir alcançar seus objetivos, os dois países passaram por longos períodos de crise política. No Brasil, a derrota na guerra e os problemas dinásticos em Portugal levaram à abdicação do imperador D. Pedro I, deixando um vácuo no poder que seria ocupado por uma regência incompetente até que seu filho alcançasse a idade para alcançar o trono.

Na Confederação Argentina, o fracasso na tentativa de conquistar a banda oriental do Prata (leia-se Uruguai) deixou o país dividido. A fraca união entre suas províncias, resultante do sistema confederado, levou ao crescimento de dois grandes partidos rivais: os Federalistas e os Unitários. Os Federalistas, apesar de trazerem uma proposta de maior autonomia às províncias Argentinas em troca de parte da soberania, eram liderados por Juan Manuel de Rosas: governador da província de Buenos Aires, a província mais rica, mais influente e com o maior exército dentro da confederação; e que impunha sua vontade às demais como se reinasse sobre elas lascando o absoluto foda-se aos ideais federalistas.

Rivalizando com ele havia o Partido Unitário, que de unitário tinha só nome, o que os caras queriam mesmo era uma federação, mas que aos poucos perdeu sua influência dentro da Argentina até que tivessem apoio apenas das províncias de Entre-Rios e Corrientes.

O fato é que Juan Rosas era um autocrata. Não havia província na Argentina com um exército maior e melhor que o de Buenos Aires, e seus opositores dentro da província foram degolados. Sua intenção era a de restaurar o antigo Vice Reino do Prata: uma nação colonial formada pelas atuais Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, e para isso precisava conquistar esses países.

Para começar sua série de conquistas, Rosas decidiu começar pelo Uruguai. O país recém formado estava passando por uma guerra civil, e Rosas decidiu investir na facção pró-argentina: o Partido Branco, liderado por Manuel Oribe.  Ao mesmo tempo, investiu dinheiro nos farroupilhos brasileiros, para que a guerra civil no Brasil se prolongasse e o Brasil não tivesse condições de intervir no Uruguai.

A guerra seguiu adiante, com Rosas e o Partido Branco sitiando Montevidé;, até que D. Pedro II foi coroado imperador no Brasil, recuperando a estabilidade no país. Pouco tempo depois, os farroupilhos foram derrotados e a economia brasileira voltou a crescer rapidamente, possibilitando a intervenção brasileira no Uruguai.

 

(Continua aqui)

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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