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Rei Guilherme, da Prússia, ao receber notícias da vitória brasileira em Monte Caseros. Alemanha, 1852.

A Guerra do Prata Parte III- Quando metemos uma surra nos argentinos

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Dando continuidade a série sobre a Guerra do Prata, nossa história segue em Montevidéu, quando o Brasil, o recém-pacificado Uruguai e as províncias argentinas de Entre-Rios e Corrientes se juntam para conter a última ameaça constante para a paz na região platina: Juan Manuel Rosas, governador de Buenos Aires.

Os comandantes dos três exércitos se reuniram e iniciaram os preparativos para uma invasão em território argentino. O Brasil ficaria responsável por transportar os três exércitos pelo Rio Paraná, além de enviar uma brigada de 3000 homens para lutar em Buenos Aires. Porém, para navegar pelo rio Paraná, a armada brasileira precisaria atravessar o Passo de Toneleiro: uma posição fortificada por Rosas na entrada do rio.

A passagem foi fácil. Os soldados rosistas estavam desesperados, sabendo que não tinham chance contra os navios brasileiros, e erraram quase todos os tiros dos canhões. Os poucos disparos que conseguiram atingir os navios acertaram em partes resistentes, que sofreram apenas pequenos danos. Temendo um desembarque próximo às fortificações, os argentinos abriram mão da posição e recuaram para Buenos Aires.

Ao desembarcar em um local seguro, o exército da coalizão contra Rosas iniciou sua marcha em direção a Buenos Aires, mas errando frequentemente o caminho. Como os exércitos rebeldes argentinos e o exército uruguaio eram desordenados, eles se comportaram feito massas a caminho de Buenos Aires, seguindo qualquer estrada que aparecesse. Somente o general Urquisa possuía uma bússola, que na época era uma joia cara, e sentia vergonha de usar  diante dos seus homens. A brigada brasileira foi citada como “uma ilha de ordem em meio ao caos”.

Como BR é BR, acabou que eles conseguiram chegar nos arredores de Buenos Aires em 3 de fevereiro de 1852, deparando-se com o grosso do exército de Rosas em Monte Caseros: uma posição fortificada próxima à capital. Esperava-se que, como as tropas brasileiras e os rebeldes argentinos estavam expostos às posições fortificadas dos argentinos, a artilharia de Rosas desse uma surra na coalizão, prolongando a batalha até o fim do dia. Mas isso não aconteceu.

Lembra quando eu falei nos episódios anteriores sobre a comitiva brasileira que contratou mercenários e comprou novos equipamentos na Alemanha? Foi nessa hora que isso fez a diferença. Uma companhia desses mercenários foi transferida para a brigada brasileira do exército de coalizão, e eles receberam o que havia de mais moderno na produção de bélica da época: o fuzil Dreyse.

O Dreyse era um fuzil muito mais rápido que os demais fuzis do seu tempo, e tinha uma precisão superior a muitas das armas utilizadas na época. O alcance do dreyse chegava perto do alcance dos canhões argentinos, fazendo com que os mercenários alemães mantivessem os artilheiros argentinos de cu trancado ocupados se protegendo dos disparos.

Ao ver sua artilharia sendo inutilizada, Rosas preferiu fugir do campo de batalha. Correu para o porto de Buenos Aires e fugiu para a Inglaterra, voltando de lá somente anos mais tarde, dentro de um caixão. Pouco tempo depois, o que sobrou do seu exército se rendeu, e Urquiza assumiu o poder na Argentina.

A vitória dos brasileiros e Unitários na guerra contra Rosas significou o fim da Confederação do Prata, que agora passaria a ser para sempre uma federação. Acabou com o expansionismo argentino, tornou o Brasil a potência hegemônica na bacia do Prata e resultou na expansão das colônias alemãs no sul do país, que prosperaram ao receber os ex-mercenários.

Agora, caros leitores, antes de dizer que o Brasil nunca participou de nada importante, lembrem-se desse capítulo da nossa história. E agora vocês sabem um dos motivos responsáveis pelo ódio que os argentinos nutrem aos brasileiros.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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