Home / EXPLORED HISTORY / Quando o Brasil meteu a real na Alemanha

Quando o Brasil meteu a real na Alemanha

Camaradas, preparem suas cachaças misturadas com lágrimas de alemães, porque hoje falaremos sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial e a Batalha de Montese.

Antecedentes

Nossa história começa na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas. Na iminência da Segunda Guerra Mundial, americanos e alemães passaram a competir pela influência em território brasileiro; por meio da diplomacia, do comércio e buscando aproximação com o exército brasileiro. Mas principalmente por causa do maior interesse comercial dos americanos nessa relação e do conflito de interesses entre o governo brasileiro e os imigrantes alemães na região sul, o Brasil acabou se aproximando mais da esfera americana; mas sem deixar de se declarar uma nação neutra.

Após o início da Segunda Guerra Mundial, as relações do Brasil com a Alemanha pioraram. Apesar da aparente aproximação entre os regimes políticos dos dois países, o Brasil via com maus olhos o avanço dos alemães pela costa africana. Vargas temia que, caso os alemães fossem bem sucedidos em controlar o norte da África, os mesmos pudessem iniciar uma operação de controle sobre o nordeste brasileiro: área de importância para o controle do Atlântico Sul.

Para piorar a situação para os alemães, os EUA começaram a enxergar no Brasil um aliado em potencial, fazendo pesados investimentos em bases militares em território brasileiro e assumindo o compromisso de defender qualquer nação nas américas que fosse agredida pelos alemães. Visando reforçar a crescente parceria entre os dois países, Vargas optou por aderir ao bloqueio naval das nações aliadas aos países do Eixo.

Em janeiro de 1942, navios brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães e italianos, que visavam intimidar o Brasil para que afrouxasse as relações com as nações aliadas. Esses torpedeamentos resultaram no efeito oposto: a população foi às ruas exigindo uma iniciativa do governo brasileiro, que declarou oficialmente entrar em guerra com as nações do Eixo.

 

Preparativos

Quando entrou na guerra, o Exército Brasileiro não estava em suas melhores condições. O Brasil havia passado por diversas guerras civis durante as últimas décadas, e ainda estava se recuperando. Os primeiros anos da participação brasileira na guerra não foram marcados pela participação nas linhas de combate, e sim de um processo de modernização das forças armadas, com auxílio dos investimentos norte-americanos; e também pelo auxílio logístico às forças aliadas, que agora contavam com acesso aos portos e bases aéreas brasileiras.

Em 1944, a indústria bélica brasileira já trabalhava à todo vapor. As forças armadas agora estavam melhor equipadas e treinadas, e uma divisão de cerca de 25 mil homens preparada para combater na Europa: a Força Expedicionária Brasileira. Seu símbolo era uma cobra com um cachimbo na boca, ironizando a declaração de Getúlio Vargas, que dizia que “era mais fácil uma cobra fumar um cachimbo do que o Brasil entrar na guerra”.

Em setembro de 1944, a Força Expedicionária Brasileira desembarca na Itália, participando de diversos confrontos ao lado dos americanos. Apesar das dificuldades causadas pelas baixas temperaturas dos alpes italianos, as forças brasileiras alcançaram êxito em avançar em solo inimigo. Em 1945, a FEB tornou-se responsável pelo desmantelamento das forças alemãs graças ao desempenho na:

 

Batalha de Montese

No início de 1945, o exército alemão já se encontrava desmoralizado e com falta de suprimentos. Perdia cada vez mais espaço para os soviéticos ao leste, para as forças aliadas que desembarcaram na Normandia a oeste e para as forças aliadas que os enfrentavam na Itália, ao sul. Visando dar um golpe final à ocupação alemã na Itália, os aliados iniciaram os preparativos para uma grande operação de ataque que seria a Ofensiva de Primavera.

Para que essa ofensiva fosse bem sucedida, era necessário que os alemães fossem expulsos de Montese: uma pequena cidade italiana extremamente fortificada, que impedia o avanço das forças aliadas. A missão de tomar a cidade foi entregue aos brasileiros.

A operação se iniciou na tarde de 14 de abril e durou dois dias. De início, os alemães tentaram resistir utilizando artilharia para derrubar as casas e prédios atacados pelos brasileiros, que lutavam de casa em casa. Mas ao perceber que isso não estava dando certo, tentaram contra-atacar os brasileiros ao redor da cidade. No dia 16 de abril, os alemães não tiveram outra opção que não a de bater em retirada.

Ao fim da batalha, as forças brasileiras sofreram 34 baixas fatais, 382 soldados estavam feridos e mais 10 desaparecidos. Por outro lado, os alemães sofreram uma quantidade parecida de fatalidades, além de mais de 400 homens levados como prisioneiros.

Montese marcou o ápice do amadurecimento da Força Expedicionária Brasileira. A vitória dos brasileiros nessa batalha marcou o retorno das operações da Ofensiva de Primavera: a operação que pôs fim à ocupação alemã na Itália. Menos de um mês depois, a Alemanha declarou sua rendição.

Até hoje a população das cidades italianas libertas pela FEB são gratas aos soldados brasileiros. Diversos monumentos foram erguidos em homenagem aos nossos heróis, que lentamente estão sendo reconhecidos aqui no Brasil.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

Check Also

Desmistificando a Guerra dos Farrapos

A guerra dos farrapos foi sem dúvida a mais duradoura e é a mais conhecida …

4 comments

  1. Há uma versão da história da entrada na guerra segundo a qual os navios brasileiros foram atingidos por submarinos norte-americanos, fazendo com que o governo pensasse que os autores dos disparos foram alemães e italianos e decidisse entrar na guerra. Você conhecia essa versão?