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A expedição de Cabral e a descoberta do Brasil

Muito se fala da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, mas muito pouco se fala do que aconteceu após sua saída das terras tupiniquins ou dos objetivos de sua expedição. E É por isso que hoje falaremos um pouco da sua expedição às Índia. Para ler o artigo de hoje, recomendo dar uma lida nos meus posts sobre as viagens de Pêro da Covilhã, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama.

 

Antecedentes

Nossa história começa com a queda de Constantinopla, em 1453. Ao dominar a passagem do Estreito de Bósforo e bloquear a travessia de mercadores que não fossem de Veneza; o Império Otomano obrigou as demais nações europeias a procurar caminhos alternativos para o oriente; onde se realizava um lucrativa comércio de especiarias. A primeira nação a fazer isso com sucesso foi Portugal, que conseguiu enviar o navegador Vasco da Gama para Calecute e fechar acordos comerciais por lá.

O sucesso de Da Gama animou os mercadores que financiavam as expedições portuguesas e também a coroa portuguesa, que viu na expedição uma oportunidade para aumentar seus domínios. Decidiram então enviar uma nova expedição, que ficaria responsável por estabelecer um enclave português na Índia, onde passaria a ser a sede do governo português no subcontinente.

Para isso, seria necessário uma frota poderosa comandada por um fidalgo leal à coroa portuguesa. E por isso, foi escolhido para comandar a missão o navegador Pedro Álvares Cabral: irmão de dois conselheiros do rei, e marinheiro conhecido pela sua honestidade. E para ele foi entregue a maior frota já formada para viagens intercontinentais: uma frota com 3 caravelas e 10 naus (navio de combate de grande porte da época); e o auxílio de grandes navegadores de seu tempo, como Bartolomeu Dias e Diogo Dias. Sua expedição contava com mais navios do que as frotas usadas por Colombo, Da Gama e Bartolomeu Dias somadas.

 

A Expedição e a descoberta do Brasil

No dia 9 de março de 1500, a frota de Cabral desembarcou de Lisboa após uma missa com a presença do rei. No dia 22, alcançaram Cabo Verde: a última colônia portuguesa por onde seguiram rumo ao sul. A partir dali, realizaram a mesma manobra de Bartolomeu Dias e Vasco da Gama: contornaram o Atlântico, aproximando-se da costa da América do Sul e depois voltando para perto da África. O objetivo dessa manobra era poupar tempo, pois os ventos eram mais rápidos seguindo por esse caminho.

No mês seguinte, notaram sinais de terra próxima, como algas marinhas e aves nos céus; e seguiram em direção a essas terras. Como encontrei tanto fontes afirmando que essa busca pelo futuro nordeste brasileiro teria sido por ordens de Portugal quanto fontes afirmando que foram por curiosidade de Cabral, deixarei que cada um tire suas conclusões. O fato é que, no dia 22 de Abril de 1500, a frota ancorou próxima ao Monte Pascoal, nomeado em referência à data comemorativa. No dia seguinte, alguns habitantes foram encontrados na costa, e por isso Cabral enviou um de seus oficiais para fazer contato com os nativos.

Após o retorno do oficial, que trocou presentes com os indígenas, a frota aportou em um porto natural ao norte dali, onde hoje é Porto Seguro. Alguns nativos foram convidados para conversar com Cabral à bordo de seu navio, onde trocaram presentes.

Os portugueses desembarcaram para guarnecer seus suprimentos, juntando água e comida para o resto da viagem. Durante esse período, tiveram um contato amistoso com os indígenas; cheio de comemorações e com direito a essa missa. Se quiser ler sobre esse contato com mais detalhes, deixarei aqui o link para a carta de Pero Vaz de Caminha. Terminada a estadia em terras brasileiras, a frota de Cabral seguiu adiante em sua viagem, rumo a Calecute, na Índia.

 

 

A Viagem na Índia

Na primeira semana de maio, a esquadra partiu do Brasil rumo ao subcontinente indiano; retornando ao trajeto de Vasco da Gama. Em setembro, a frota desembarcou em Calecute e logo se iniciaram as negociações de Cabral com o samorim (título entregue ao governante da cidade).

O acordo estabelecido foi de que uma feitoria e um armazém seriam construídos em Calecute para facilitar o comércio, além de apoio militar por parte de Cabral durante sua estadia na cidade.

Três dias depois, comerciantes árabes e hindus atacaram a feitoria portuguesa. Algumas dezenas de portugueses morreram nesse ataque, e por isso Cabral ordenou uma pesada represália: ordenou que atacassem os navios mercantes árabes, confiscando sua mercadoria e incendiando os navios. Além disso, visando punir o samorim pela suposta violação de acordo, a cidade foi bombardeada por 24 horas.

A decisão de Cabral veio a determinar para sempre o comportamento das futuras expedições europeias não apenas na Índia, como no continente asiático como um todo. O recado a Calecute estava dado: os portugueses poderiam estar em menor número, mas sempre tratariam qualquer traição com o devido rigor.

Ao partir de Calecute, Cabral passou por outras cidades indianas; fechando acordos comerciais, comprando especiarias e marcando a presença política portuguesa.

 

O retorno à Lisboa

Muitos navios foram perdidos ao longo da expedição, e a busca e espera por esses navios fez com que o retorno fosse demorado. A chegada de Cabral em Lisboa só aconteceu em julho de 1501, contando com apenas sete navios: cinco cheios de especiarias e dois vazios.

Sua expedição foi uma das mais bem sucedidas já feitas à Índia. Os lucros com a expedição superaram em oito vezes os seus gastos, permitindo a Portugal cobrir totalmente o custo dos navios perdidos e organizar novas expedições.

Cabral morreu por volta de 1520, em Santarém. Nos anos após seu retorno, teve algumas desavenças com a coroa portuguesa por não receber o mesmo reconhecimento de Da Gama; mas isso não o impediu de ser reconhecido pelos seus feitos: casou-se pouco depois de retornar a Portugal com uma família de grande prestígio, e recebeu o título de cavaleiro poucos anos antes de sua morte.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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