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Expedição de Vasco da Gama rumo às índias. Oceano Atlântico, 1497, colorizado artificialmente,

A expedição de Vasco da Gama: o cara mais másculo que já existiu

Camaradas, o artigo de hoje será sobre a expedição do cara mais másculo que Chuck Norris, que atravessou o mundo pra arranjar tempero em nome de Portugal a comida europeia também devia ser uma bosta na época pra comprarem tempero caro pra cacete do outro lado do oceano.  

Nossa história começa em 1453: quando, com a queda de Constantinopla, o Império Otomano dominou o estreito de Bósforo: a conexão entre a Ásia e a Europa, passando a exercer monopólio sobre as rotas comerciais entre os dois continentes e cobrando taxas altíssimas sobre os mercadores que quisessem atravessar.

Portugal, devido a sua posição geográfica afastada do resto do continente europeu, e ao grande desenvolvimento do país no estudo da navegação marítima, começou a procurar formas alternativas de alcançar as especiarias vindas da Ásia, que antes eram comercializadas por mercadores italianos, que faziam expedições a pé até a Índia.

Para possibilitar uma travessia pelo atlântico rumo ao continente indiano, o rei D. João II envia dois dos seus mais confiáveis emissários, Pêro de Covilhã e Afonso de Paiva, para ir a pé disfarçados de mercadores rumo à Índia por meio do Egito, e fazer um reconhecimento dos portos da costa leste africana e das cidades onde se produziam as especiarias na Índia. Somente Pêro de Covilhã sobreviveu a viagem, e seu relatório se tornou uma das ferramentas mais importantes para possibilitar a expedição de Gama.

Enquanto isso Pêro analisava o caminho para a Índia por terra, o rei enviou Bartolomeu Dias para encontrar um caminho pelo mar. Bartolomeu conseguiu cartografar toda a costa africana até a África do Sul, mas a tripulação ficou cada vez mais apavorada, pois se afastava cada vez mais das águas conhecidas por eles. Ao atravessar o Cabo das Tormentas: local onde a rota deixava de seguir ao sul e passava a seguir a leste, Bartolomeu foi pressionado por seus tripulantes a retornar à Portugal. Porém, seus registros serviram para guiar as futuras expedições pela costa ocidental da África, informando o local onde terminava o continente africano.

Com o retorno de Bartolomeu Dias e a chegada do relatório de Pêro da Covilhã (que optou por ficar na Etiópia, onde fundou uma embaixada portuguesa), restou à coroa portuguesa apenas encontrar um navegador capaz de atravessar o oceano conectando as duas rotas. Para isso, o rei de Portugal escolheu Estevão da Gama: um renomado navegador português. Mas como este veio a falecer pouco antes da expedição, o rei entregou o comando ao seu filho: Vasco da Gama.

Vasco iniciou sua expedição em em 8 de julho de 1497, comandando quatro náus (navios de médio porte da época), construídas especialmente para essa função. Em seu caminho, a tripulação aportou em diversas ilhas e portos africanos, entrando em contato com diversas tribos que nunca tiveram antes contato com os povos europeus, inclusive tendo problemas com alguns desses povos, que trataram os navegadores portugueses com hostilidade. Um dos navios foi perdido no caminho.

No ano seguinte, a frota chegou em Calecute. A princípio, os navegadores portugueses foram tratados com escárnio pelo sultão e com hostilidade pelos mercadores, pois as mercadorias que trouxeram eram de baixo valor para os indianos. Mas com a perseverança de Da Gama, o sultão aceitou fechar acordo comercial com Portugal.

Da Gama teve que vender suas mercadorias a um preço baixo, pois precisava de mercadorias indianas, mesmo que em pequena quantidade, para comprovar o sucesso de sua missão ao rei. Partiu pouco tempo depois sem avisar, pois o sultão os tratou com desconfiança, mas deixou alguns tripulantes na cidade para que construíssem uma feitoria.

Durante a viagem de retorno, boa parte da tripulação de Da Gama morreu por doenças relacionadas a má nutrição, inclusive seu irmão, Paulo da Gama, que foi sepultado em uma ilha a caminho de Portugal. Além disso, um dos navios teve de ser queimado graças a falta de tripulação. Para compensar o atraso causado pelo sepultamento do irmão, Da Gama ordenou que um dos navios seguisse na frente, para dar logo a notícia de que Portugal havia alcançado a Índia pelo mar.

Graças ao atraso para chegar em sua terra natal, Da Gama não pôde participar das festividades de comemoração ao sucesso de sua missão, mas foi recompensado por seus atos. O rei o concedeu um pagamento anual de trezentos mil réis em recompensa, além de uma série de títulos. Da Gama, motivado pelo sucesso, comandou mais tarde outras duas expedições rumo a Índia, desta vez para colonizar o subcontinente e resolver problemas causados pelo governador do estado português na Índia.

Vasco da Gama morreu em Cochim, no sul da Índia, vítima da malária. Seus atos marcaram o fim do monopólio veneziano e otomano sobre o comércio das especiarias, conectaram a Ásia à Europa por meio dos oceanos e transformaram Portugal em uma das principais potências comerciais européias pelos próximos séculos. Foi o fundador do estado português na Índia, e o primeiro HOMÃO DA PORRA conde português sem sangue real.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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2 comments

  1. João Vitor Vargas

    A comida europeia não era exatamente “ruim”, eram os europeus porcos ao ponto de necessitarem de temperos para comer com o mínimo de qualidade.
    Perceber que os índios brasileiros comiam carne sem sal e mal usavam a pimenta abundante que aqui havia ao longo da costa (que nos registros era tão exportada quanto o pau brasil no começo)

  2. QUI VASCÃO DA PORRA 😉