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Desmistificando a Segunda Guerra Mundial

Assim como acontece com a primeira guerra mundial, a segunda guerra mundial costuma ser retratada cheia de exageros e desinformações. Alguns fatos são retratados com exagero para fins de propaganda, outros por ignorância mesmo. Sem mais demoras, tratarei aqui de três desinformações frequentes ao se falar da segunda guerra mundial:

Mito nº 1- O exército vermelho era mal equipado e despreparado: já falei sobre isso no post “desmistificando o exército vermelho”, mas é sempre bom lembrar e acrescentar algumas coisas: o exército vermelho não era a horda desorganizada que costumamos imaginar. Ele tinha seus problemas, como a dificuldade de se repassar comandos e problemas sérios de corrupção entre os oficiais; mas nada que os tornasse uma força militar ineficiente.

E tecnologicamente o exército vermelho também não era tão ultrapassado. O problema deles em relação a tecnologia foi o fato da modernização ter se dado no meio da guerra, mudando radicalmente a qualidade do seu equipamento praticamente de um ano para o outro. O exército vermelho contava nos último anos da guerra com armas até inovadoras, como os foguetes Katyusha e o uso massivo de fuzis SVT-40: um dos melhores fuzis semiautomáticos de seu tempo, não apenas graças à precisão e cadência de disparos, mas também pela facilidade com que era fabricado.

A produção de blindados soviéticos também era bem avançada, mas também teve sua imagem manchada graças ao T-34. O T-34 era o “carro chefe” dos blindados soviéticos da segunda metade da guerra, e um dos tanques mais avançados de seu tempo. Mas mesmo tendo uma tecnologia avançada, eram destruídos aos milhares pelos blindados alemães. Por que isso? Simples, a tecnologia aplicada no T-34 era de ponta, mas ele era produzido às pressas. A doutrina de batalha soviética pregava o uso massivo de bocas de fogo; e por isso eles não poderiam perder tempo na produção dos chassis, só o que eles precisavam era de canhões bem feitos nos blindados. A consequência disso era que as viaturas saíam das fábricas com um mecanismo de disparo perfeito, mas com uma blindagem fraca e motores problemáticos. Mas como eu disse, isso era necessário para tornar possível a aplicação da sua doutrina.

 

T-34. o principal blindado soviético na segunda metade da guerra.

 

Mito nº 2- O eixo era apenas Alemanha, Itália e Japão: sempre tem aquela galerinha que pensa que a segunda guerra mundial era Alemanha, Itália e Japão contra o resto do mundo. Mas isso não é verdade. O eixo também contava com nações do leste europeu, como a Hungria, Romênia, Bulgária e Eslováquia. Havia também uma aliança indireta entre a Finlândia e Alemanha que, apesar de não terem uma política de proximidade, viam na União Soviética um inimigo comum.

Diversos Estados-Fantoches também acabaram aderindo à causa das nações do Eixo depois de criados, por diversas razões diferentes. Nos países do báltico, por exemplo, a população via os alemães como a única esperança de não voltar a fazer parte da União Soviética. A Croácia também tinha uma grande população de apoiadores da submissão alemã. Alemanha, Itália e Japão não eram os únicos países do Eixo, e sim suas lideranças.

Mas vale lembrar que não foi em todos os países que a ocupação alemã foi bem vinda. Na França, Noruega, Sérvia e Polônia houve forte resistência civil. Na Polônia, Varsóvia teve que ser arrasada pela artilharia alemã para acabar com a revolta, que já havia preservado a autonomia da cidade por três meses. E na Sérvia, a resistência foi tanta que os revoltosos conseguiram expulsar de vez a ocupação alemã.

 

Mito nº 3- Stalingrado e Leningrado eram cidades desnecessárias para a anexação da União Soviética: é muito comum cair no conto de que Leningrado e Stalingrado só foram atacadas por uma razão ideológica, e que Hitler não teria perdido a guerra se não tivesse insistido em atacar as duas cidades. Mas o fato é que a importância de Stalingrado e Leningrado não era apenas ideológica: como o símbolo da queda das cidades dos dois grandes líderes soviéticos. Tinham também uma enorme importância logística.

Stalingrado tinha uma importância muito grande por ser o portão de acesso à navegação no rio Volga: única alternativa para se preservar um fluxo constante de suprimentos num país com estradas em péssimas condições. E a conquista de Leningrado permitiria ao exército alemão fornecer suprimentos pelo mar, reduzindo em muito o tempo para os suprimentos chegarem até os soldados na frente de batalha.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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6 comments

  1. Muito interessante o artigo. Vale lembra também da Repúblca de Vichy, na França.

  2. Esse site é muito legal, mas é triste perceber que não cita uma única fonte de referência bibliográfica.
    Complicado querer ‘revolucionar’ estudos de História no Brasil desmistificando diversos mitos mas fazê-lo de forma ignorante.
    Por favor, cite referência! Não entregue-se ao plágio, além de ser um ofensa GRAVE moral também é um crime.
    Um abraço!

    • Só é considerado crime quando se utiliza literalmente as mesmas palavras da referência sem citar. No caso utilizamos as nossas próprias palavras. E como geralmente os artigos aqui são feitos utilizando conhecimentos acumulados com o tempo pelos editores, nem sempre fica possível citar as fontes. Mas se quiser algumas referências bibliográficas, é só entrar em contato.

      • Verdade, Rafael! Conheci essa página no Facebook e sempre ri muito com os memes! E achei genial a pegada de ensinad história em um site com memes, adoraria que meu professor usasse isso!
        Os autores devem saber muito de história, por isso dispensam as referências, fica tranquilo. Eu já citei num trabalho da escola, pelo menos, tomara que dê certo.

  3. Ronald Pinheiro

    Sobre o primeiro tópico, recomendo o historiador Russo Viktor Suvorov, especialmente o livro “O Grande Culpado”. Sua análise da capacidade bélica e organizacional do Exército Vermelho é soberba.

  4. Faltou citar o oriente médio e a estreita relação da irmandade mulçumana com a ideologia nazista.