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Desmistificando o Primeiro Reinado

Há algumas semanas atrás, lancei um artigo aqui no site buscando desmistificar algumas informações bastante exageradas sobre o reinado de D. Pedro II, que é tratado em algumas páginas quase como uma divindade. Desta vez, farei o contrário. Assim como D. Pedro II costuma ser retratado com uma imagem mais beneficente do que a realidade, D. Pedro I muitas vezes é incompreendido. E por isso, tentarei aqui apenas derrubar alguns estereótipos sobre sua pessoa, mas esclarecer algumas coisas sobre o período do primeiro reinado como um todo. Sem mais delongas, vamos ao:

Mito n° 1- O Brasil ficou independente sem guerra: quantas vezes não ouvimos a história de que o Brasil “comprou” sua independência pros ingleses, não é mesmo? O fato é que não, não foi tão fácil para o Brasil conquistar sua independência. Diversas batalhas ocorreram principalmente no nordeste brasileiro e no que, na época, era a província da Cisplatina.

Muitos heróis de guerra brasileiros iniciaram suas carreiras militares ou ficaram famosos justamente nessa guerra, como foi o caso do General Osório, patrono da cavalaria brasileira, e Maria Quitéria, patrona do corpo de oficiais do exército brasileiro.

E por que a guerra de independência do Brasil não teve a mesma proporção da americana? Meu palpite é de que houveram dois motivos para isso: o primeiro foi o fato de Portugal ter reagido num momento em que o país passava por dificuldades, não conseguindo combater com o máximo de sua eficiência. E o outro, talvez o mais importante: o Brasil desenvolveu sua marinha de guerra ANTES da guerra de independência, o que permitiu com que Portugal não conseguisse enviar reforços às tropas localizadas por aqui.

Mito n° 2- D. Pedro I era um imperador incompetente: sem dúvida D. Pedro I não era um estadista perfeito. Tinha problemas com seu temperamento, era irreverente e péssimo marido. Mas o que não se pode dizer é que ele era um monarca incompetente.

Pedro I tinha as características necessárias para tornar a independência possível. Era carismático, o que possibilitou agitar as massas na hora de defender discursos pró-independência. Já tinha certa experiência como administrador, pois fora príncipe regente por alguns anos. E fora um oficial de exército dedicado, chegando a patente de coronel. Sua experiência como militar se provou importante na guerra de independência, pois permitiu reconhecer os erros dos oficiais e corrigir antes que a situação se agravasse.

Os problemas relacionados ao seu reinado não estavam relacionados às suas habilidades como governante, e sim aos seus problemas privados. A falta de respeito com a Imperatriz Leopoldina, a dificuldade de se desvincular com a política portuguesa e o desrespeito às cerimônias acabaram com sua popularidade, que acabou de vez após a derrota na guerra do Cisplatina.

Mito nº 3- O Brasil não exatamente perdeu a guerra do Cisplatina: não bastasse ter gente que diz que os EUA não perderam a guerra do Vietnã por razões ideológicas, tem gente que por razões mais ideológicas e menos científicas diz que a guerra do Cisplatina não foi uma derrota porque acabou em um acordo. Não vou entrar muito em detalhes sobre isso, porque a explicação dos motivos pela qual sim, a guerra do Cisplatina foi uma derrota, é a mesma que eu dei na matéria sobre a Guerra  do Vietnã: o Brasil não alcançou seu objetivo político inicial. Além disso, ao contrário da situação dos americanos no Vietnã, o Brasil fez foi tomar belas surras no Cisplatina graças a incompetência do General Barão do Barbacena. Se quiser ler o artigo sobre o Vietnã, clique aqui.

Mito nº 4- O Brasil tentou ficar independente de Portugal sozinho: esse eu diria que é mais uma curiosidade do que um mito. O Brasil não foi o único território ultramarino português a tentar a independência: os delegados da Angola também tentaram ganhar espaço para a independência no parlamento português, tentando formar um único país com o Brasil. Para bem ou para mal, isso não aconteceu. O processo rumo à independência no Brasil já estava bem mais avançado, e os políticos brasileiros como um todo sabiam que seria quase impossível pressionar Portugal e eventualmente vencer uma guerra além do oceano.

 

Pois bem, espero ter esclarecido um pouco mais o primeiro reinado. Assim como não é certo falar de D. Pedro II como um deus e do segundo reinado como o paraíso na terra, é errado retratar D. Pedro I como uma figura má e incompetente, e cair no conto de que a nossa independência foi comprada e que o Brasil lhe foi entregue de mão beijada.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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