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Foto original do imperador Cômodo. Roma, 179 D.C

Cômodo- o imperador que iniciou a queda do império romano

Companheiros, a história de hoje é sobre Marcus Aurelius Commodus Antoninus ou Cômodo: o imperador romano cujo reinado marcou o início do fim do Império Romano.

Nossa história começa no reinado de Marco Aurélio: para muitos, o maior imperador que Roma já teve. Marco Aurélio, ao contrário dos imperadores anteriores, indicou seu filho Cômodo para herdar o trono de Roma, por motivos ainda desconhecidos.

Cômodo não levava a sério seu papel como herdeiro. Teve uma juventude boêmia, vivendo entre bêbados e prostitutas, até que seu pai o ordenou a reinar junto com ele em 177 DC. O jovem aprendiz de imperador não levou muito a sério as lições que passou a receber de seu pai, que o levou consigo para a guerra contra os marcomanos. Durante a guerra, Marco Aurélio morreu vítima da peste bubônica, e o trono foi passado para Cômodo.

O imperador tentou levar a guerra adiante até 182, mas ao perceber que não estava conseguindo preservar o respeito de sua tropa, fechou um tratado de paz com os germanos. A derrota na Germânia o levou a perder o apoio do senado romano, que passou a conspirar junto com seu conselheiro contra ele para entregar o trono à sua irmã, Lucila, que se dizia verdadeira herdeira de Marco Aurélio.

Ao conseguir conter os conspiradores e matar suas lideranças, Cômodo passou por frequentes crises de legitimidade, apelando a tática do pão e circo frequentemente para conseguir apoio popular. Em 192, organizou um espetáculo de duas semanas de combates de gladiadores no Coliseu de Roma, onde ele mesmo participou dos jogos. Pouco tempo depois, foi descoberto que o imperador teria fraudado os jogos, entregando espadas cegas aos gladiadores para que ele saísse sempre vencedor nas lutas, perdendo o apoio dos gladiadores libertos.

No final do mesmo ano, em meio a uma grave crise política, Cômodo foi assassinado por um gladiador liberto a pedido de sua principal concubina, preocupada com o crescimento de sua sede de poder e chocada ao descobrir da fraude nos jogos. Cômodo foi sucedido pelo seu assessor e mais tarde seu conspirador, Septímio Severo.

About Lucas Mayon

Estudante de Direito em Brasília, criador da página.

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2 comments

  1. Vinicius Medeiros

    Não me parece correto essa afirmação.

    Embora Cômodo marque o fim de um período de glória, que foi o século dos bons imperadores, ou mesmo da chamada pax romana iniciada com Augusto, por certo houve imperadores depois de Cômodo que batalharam pela manutenção do império, e conseguiram.

    Talvez Cômodo seja sim um marco na decadência de Roma, mas não necessariamente sua principal causa.

    Se pararmos pra pensar, diversos imperadores subsequentes foram melhores ou mais bem sucedidos do que Cômodo. O próprio Séptimo Severo, Alexandre Severo, Diocleciano, Constantino, Constâncio, Teodósio, enfim.

    Na verdade, Cômodo está mais para uma representação do que viria a ser os outros dois séculos em que o império sobreviveu: imperadores hereditários, ou patentemente incapazes de governar, mas ainda assim elegidos à função. É só ver o caso de Heliogábalo (um degenerado) ou Teodósio II (que ascendeu ao trono com apenas 1 ano e alguns meses de vida!).

    Agora, de fato, o que contribui pra a ruína ainda hoje é motivo de ampla discussão. A crise do terceiro século é uma soma de fatores, a sucessão de imperadores e a instabilidade política deve ser mais fruto ou consequência de outros fatores mais importantes, como a crise econômica, do que essencialmente a raiz da crise.

    Eu, particularmente, acho que a estagnação das terras do império um fator crucial. A geografia, em regra, explica muito bem as dominações (EUA são um sucesso, não por nada além do que sua geografia: acesso aos dois princípios oceanos do planeta, terras férteis, recursos naturais aos montes etc). E Roma paralisou, todos sabemos, lá pelo reinado de Trajano.

    As campanhas contra os germanos foram, em regra, um fracasso. Ninguém conseguia ultrapassar o Reno. Quanto isso deve ter custado, recorrentemente, em quase todos os reinados, já que cada imperador parecia desejoso de ele mesmo ultrapassar esse obstáculo desonroso à história de Roma, quando isso deve ter custado ao tesouro romano?

    Um outro fator, certamente, era a burocracia estatal. Diocleciano, em que pese tenha sido um restaurador da ordem imperial, foi ao mesmo tempo aquele que mais contribui para, no meu sentir, a derrocada. Diocleciano talvez seja o melhor exemplo de governante que sabe manejar a política, mas não a economia, e ainda assim o seu legado político é questionável. Diocleciano cometeu os maiores erros econômicos: elevou impostos a torto e a direito, artificializava os preços dos produtos (controlava mesmo, e sabemos o resultado disso história a fora), saiu editando leis e burocratizando cada vez mais o aparato estatal.

    Do outro lado, politicamente falando, ainda que a tetrarquia tenha sido uma boa ideia, o que vimos no século seguinte, durante o reinado dos Constantinos, foi incontáveis guerras civis e disputas, seja pelo “cargo” de César, seja pela posição, de fato, de imperador (Augusto).

    Bom, divaguei, divaguei, mas gosto muito da história romana. Essa é minha opinião. Abraços.

    • Salomon Mebain

      Olá Vinícius! Tudo bom? Fico bastante feliz em sua resposta muito bem elaborada. Sou um dos outros editores do Site e gostei muito da sua análise, inclusive compartilho bastante dos seus argumentos levantados.
      Sobre eles, eu complemento sobretudo a crise econômica romana devido a balança comercial desfavorável, que foi mantida por séculos, até que as pensões militares e outros gastos fossem insustentáveis. Tal derrocada no comércio tem tudo a ver com a estagnação das conquistas romanas, que paralisou a obtenção romana de novos escravos, que eram seu principal produto. Além disso, Roma tinha uma economia muito pouco preocupada com o dinamismo de mercados sempre apostando na grandiosidade de sua capital a todo custo oque certamente acabou custando o seu império como um todo. Fosse roma mais sábia quanto aos seus investimentos, seus gastos e tivesse um sistema econômico-produtivo mais eficiente, certamente, o império não haveria ruido com a pressa e da forma como aconteceu.
      Quando a sua crítica ao texto, bem, estou eu aqui, outro editor da página concordando contigo e reforço dizendo que é nesse espírito que nos constituímos como produtores de conteúdo: Unidos e autônomos.
      Por último, faço-lhe um convite: Estou idealizando um projeto que possa incluir aqui no nosso site contribuições de autores não editores, dessa forma, você pode ter suas ideias veiculadas – e será devidamente creditado por isso é claro-. Pode ser baseado nesse seu comentário ou algum outro assunto que eu bote fé. Abraço!