Home / EXPLORED HISTORY / A batalha de Leuthen e a incomparável disciplina prussiana
Frederico e seus generais observam os austríacos em Leuthen.

A batalha de Leuthen e a incomparável disciplina prussiana

A Guerra dos Sete Anos está no auge, apenas com a Inglaterra para oferecer ajuda, o Reino da Prússia, sob comando de Frederico II está completamente cercado. Russos, Austríacos e membros do Sacro Império Romano Germânico invadem o pequeno reinado ao norte da Europa por todos os lados. Outros reis entrariam em desespero, certamente, mas não Frederico, o mesmo não escondia seu desejo de lutar contra diversos inimigos (ao mesmo tempo). O ano é 1757.

Frederico e seus generais observam os austríacos em Leuthen.

Introdução: A tomada da Silésia

Logo após retornar da vitoriosa batalha de Rossbach, contra o Sacro Império e França, Frederico descobre que a Silésia foi infestada por austríacos. Sua capital, Breslau (hoje Woclaw, Polônia), recém tomada por Charles II de Habsburgo, com um exército de aproximados 60 mil homens.

O mesmo Charles sabia que um novo desafio logo surgiria. Colocando suas tropas em uma colina, logo a oeste da cidadezinha de Leuthen (há cerca de 10km de Breslau), e subindo no alto de um campanário, Charles pôde ouvir, atraves da manhã cinzenta e neblinada, o rufar calculado dos tambores, e ao longe, do outro lado do pequeno vale, surgindo por outra colina, à oeste, a marcha mecânica dos soldados prussianos, vestindo seus famosos casacos azuis, o famoso “Azul prussiano”, eram os granadeiros de Frederico (os quais foram meticulosamente contratados por seu pai, Frederico I), cerca de 30.000 prussianos marcham contra o dobro de sua força.

A Batalha

O exército austríaco se posiciona em uma longa linha, com cavalarias posicionadas em seus flancos, uma linha interminável de infantaria no meio e artilharia logo a frente, o flanco direito é comandado pelo general Lucchessi, o centro, pelo próprio Charles e o flanco esquerdo pelo general Nadasdy. Frederico não dispõe de homens o suficiente nem para cobrir toda a linha austríaca.

Frederico começa seu ataque logo cedo, com um avanço de sua cavalaria leve pelo flanco direito, atraindo a cavalaria de Lucchessi, que contra-ataca, sendo rechaçada pelos prussianos. Lucchessi acredita que seu flanco direito será o alvo dos prussianos, e pede reforços.

Eis que Frederico tira sua maior cartada da Batalha. Aproveitando-se da neblina matinal da região, o rei-filósofo (apelido dado por Voltaire, que teria passado mais de 10 anos vivendo na corte prussiana, junto de Frederico), move toda sua força, correndo, mas em formação impecável, para o flanco esquerdo austríaco, deixando apenas duas unidades de cavalaria no centro (a princípio fazendo Charles II pensar que os prussianos haviam recuado do campo). A cavalaria de Nadasdy tenta desesperadamente rechaçar os prussianos em seu flanco, mas falha.

Nadasdy pede por reforços, mas, dessa vez, todas as reservas austríacas estavam no flanco direito. Charles ordena que sua infantaria se forme novamente, virando para o flanco e reformando sua linha, mas de forma compacta, atrás de alguns muros da cidade. Infelizmente para os Habsburgos, a formação compacta de infantaria faz alvos fáceis para a artilharia prussiana, que comete um massacre. Com sua linha reformada, porém capenga, Lucchessi é capaz de fazer um ataque no novo flanco esquerdo prussiano. Frederico, então, ordena sua última reserva (as unidades de cavalaria, que não avançaram para o flanco com o resto do exército) a interceptar as forças de Lucchessi, que é pego por trás e é morto durante a carga, fazendo a unidade fugir em desespero.

O ataque prussiano e as formações compactas dos austríacos.

Movendo a mesma cavalaria e dois regimentos de infantaria agora para o flanco direito austríaco, sem comando e sem cavalaria, Charles II vê sua linha desabar, pressionada no meio e à direita. Ordenando assim a retirada total. A batalha terminou em menos de duas horas. Fato o qual demonstra a extrema disciplina do exército prussiano, capaz de performar mudanças radicais em suas formações sem perder a concentração e enfrentar exércitos muito maiores, utilizando de boas táticas para alcançar suas vitórias.

Consequências

A Áustria nunca mais voltaria a ameaçar a Silésia, e a Prússia conseguiu, com sucesso, sobreviver aos primeiros anos da Guerra dos Sete anos contra inimigos muito maiores e mais poderosos. A batalha também abriria porta para uma invasão prussiana da Áustria, a qual nunca sucederia.

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social - Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

Check Also

Desmistificando a República das Duas Nações

A República das Duas Nações (ou Comunidade Polaco-Lituana) é uma das mais famosas nações extintas …