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Bandeira da Liga Hanseática.

Guerra Hanso-Dinamarquesa

(essa aqui não é a bandeira da Liga Hanseática, ok?)

Introdução: A Liga Hanseática

Durante a Idade Média um fenômeno interessante se desdobrou pela Europa: A formação das Ligas de Comércio. Basicamente, para conseguir enfrentar o mundo cão que era o medieval, os comerciantes proeminentes, aliados à suas cidades, formaram ligas. O objetivo de tais ligas? Proteger as rotas comerciais e os mercantes, garantindo assim a seguridade de seus lucros. Muitos senhores feudais, em diversas vezes, cobravam tarifas abusivas de passagem ou até mesmo confiscavam as mercadorias dos mercantes, as ligas de comércio eram mais do que necessárias.

A maior e mais famosa destas foi a Liga Hanseática, ou Liga de Hansa (ou até mesmo Hanse). No final do século XIII, a cidade de Lübeck se tornou um proeminente centro para comerciantes, por sua posição estratégica (no pescoço da Dinamarca), muitos mercadores vindos de diversas regiões dos estados germânicos tinham acesso ao porto e, por conseguinte, à regiões na Escandinávia, Inglaterra, Mar Báltico e afins. Dentro da cidade, então, começaram a se formar guildas (no alemão, “Hansa”). Não demorou muito até que, por volta de 1360, estivesse consolidada a Liga Hanseática. Uma iniciativa das guildas (Hanse) de Lübeck, em conjunto com a de outras cidades, para ter o controle sob o comércio na região norte da Europa e Mar Báltico.

Em seu ápice, a Liga, teria mais de 100 cidades-membros. Algumas bem conhecidas, como Lübeck, Danzig, Hamburgo, Berlim, Frankfurt, Cracóvia, Riga, Dortmund, Novgorod, Londres e Antuérpia.

As principais cidades da Liga Hanseática.

O conflito

Em 1426 o Reino da Dinamarca, sob ordens de seu rei, Eric, abriu forçadamente as águas do Mar Báltico para frotas Holandesas. Ferindo assim a soberania local da Liga. Esse ato foi levado como agressão pelas cidades livres da Liga, as quais declararam guerra ao reino da Dinamarca.

As forças da Liga eram compostas em boa parte de voluntários das cidades livres ou de mercenários, aquilo que o dinheiro da liga poderia comprar sem problemas.

A guerra, embora tenha durado vários anos, não foi tão intensa quanto os conflitos modernos. Naquela época, o tempo entre uma batalha e outra poderia levar meses ou até mesmo anos.

Tudo começou em 1426, quando os dinamarqueses tomaram Flensburg. Uma cidade próxima a Lübeck, ao norte da atual alemanha, ameaçando a segurança da mesma. A resposta da Liga foi a tomada e saque de Bornholm, uma ilha dinamarquesa que erguia-se como ponto estratégico na porta de entrada do Báltico, um ano depois, em 1427. No ano seguinte a Liga utilizaria sua frota para cercar e bombardear Copenhagen (capital dinamarquesa) DUAS VEZES. A mesma frota se moveria para Bergen, na Noruega, e saquearia a mesma. Em 1429, a Liga capturaria as frotas suecas, vassalas dinamarquesas. No ano seguinte, Hansa retomaria Flensburg.

O Armistício viria em 1432, mas a paz de facto, apenas em 1434, com a erupção da revolta sueca.

A frota Hanseática bombardeando Copenhagen em 1428.

Desfecho

A Liga, vitoriosa da guerra, ainda faria a Dinamarca assinar o tratado de Vordingborg, que basicamente obrigava o reino dinamarquês a pagar reparações de guerra e desistir de seus poderes de comércio no mar Báltico.

Resumindo: Um bando de comerciantes cheios de dinheiro comprou exércitos e navios, deu um pau em um reinado e depois ficou cobrando deles.

Os hanseáticos continuariam hegemônicos na região até a ascensão de novos rivais, que ameaçavam a liga de forma econômica. O início de seu declínio se daria por volta de 1495, quando os poloneses se sobreporiam sob a Ordem Teutônica e tomaria conta das cidades livres da região. Embora a Liga nunca mais conseguisse alcançar sua força de meados do século XV, a união de suas principais vigoraria por muitos anos.

Sua última reunião formal se deu em 1669, na qual apenas nove membros compareceram. Apenas três membros (Lübeck, Hamburgo e Bremen) estavam presentes em sua dissolução, que deu-se com a formação do Império Alemão, em 1862. Por tal motivo, estas três cidades carregam o título de “Cidades Hanseáticas” até os dias de hoje em seus títulos de cidades alemãs.

Legado

A liga Hanseática é lembrada até hoje de muitas maneiras, tendo deixado memórias importantes para os povos dos países em que ela se formou. Muitas das cidades, além das três já citadas, carregam nomes de cidades hanseáticas. A Lufthansa (Luft – ar; Hansa – liga ou guilda) carrega esse nome em homenagem à Liga, times de futebol (como o F.C. Hansa Rostock) e museus dedicados apenas à história hanseática podem ser encontrados em regiões da alemanha.

About Vitor Machado

Estudante de Comunicação Social – Relações Públicas na Universidade Federal do Paraná. Amante de história e escritor de fanfic. 19 anos.

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